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Andando no ar

Nesse fim de semana a NASA liberou um vídeo fantástico tomado a partir da estação espacial ISS, mostrando nosso planeta atravessando vários fenômenos naturais com lapso temporal, isto é, mostrando a evolução dos acontecimentos sobre a superfície terrestre:

Vale a pena conferir este belíssimo vídeo, ligue as caixas de som para ouvir a trilha sonora “Walking in the air”, cuja letra vai abaixo:

Walking in the air

We’re walking in the air
We’re floating in the moonlit sky
The people far below are sleeping as we fly
I’m holding very tight
I’m riding in the midnight blue
I’m finding I can fly so high above with you
Far across the world
The villages go by like dreams
The rivers and the hills
The forests and the streams
Children gaze open mouth
Taken by surprise
Nobody down below believes their eyes
We’re surffing in the air
We’re swimming in the frozen sky
We’re drifting over icy
Mountain floating by
Suddenly swooping low on an ocean deep
Arousing of a mighty monster from its sleep
We’re walking in the air
We’re floating in the midnight sky
And everyone who sees us greets us as we fly.

É nessa bola azul flutuando no espaço que todo o drama da nossa existência atual se passa, a nossa história e a de todos os que vão juntos nessa jornada universal… Diante dessa imensidão, uma pergunta: por quê se apegar ao sofrimento se podemos andar no ar?

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen. 

Sobre o medo de receber críticas

O medo da censura e da reprovação nos faz dependentes do elogio alheio é a raiz das nossas frustrações relacionais, na medida em que vamos nos tornando relutantes em iniciar um processo sincero de autoanálise. O primeiro passo para se libertar do sofrimento de receber críticas é se tornar consciente da existência desse medo de ser repreendido, do desacordo, da falta de apoio e apreciação.Nosso medo primordial é o medo da não-existência. De modo subliminar, ele está presente em todos nós e pode emergir repentinamente com o pânico, simplesmente por que nós não queremos experimentar a extinção. O medo da censura é o mesmo que o nosso medo da morte, da nossa autoafirmação. No final, é o medo de não estar mais aqui. É claro que quando recebemos uma acusação, não tememos desaparecer naquele momento; tememos o desaparecimento da nossa autoestima que depende da apreciação dos outros. Mesmo sendo tal ideia uma ilusão criada pelo ego, a maioria das pessoas está totalmente convencida dela, algumas ao ponto da obsessão, de modo que elas ficam o tempo todo tentando agradar a todos a fim de evitar a crítica. Mas isso é possível? Nós, em primeiro lugar, sequer sabemos certamente quais são os sentimentos e desejos das outras pessoas. E em segundo lugar, uma crítica pode ser realmente muito útil para nosso crescimento, sendo que a ideia de evita-las a qualquer custo é somente uma fuga criada pelo desejo infantilizado de aceitação incondicionada.

Que nós queremos aplauso e elogio é um fato da vida, e realmente elogiar e ser elogiado são atitudes benéficas e que promovem a motivação e a vontade de crescimento, mas também assim deveríamos receber as críticas construtivas que nos são dirigidas.

Por outro lado, o autoconhecimento honesto é essencial para que sejamos capazes de abandonar as nossas obsessões, inclusive o nosso medo da censura. Pois só podemos abandonar aquilo que tivermos reconhecido completamente por nós mesmos, e é bem desnecessário transformar o nosso medo da censura em medo do autoconhecimento. O fato de sermos capazes de abandonar o ego, depois de termos compreendido que isso não significa que iremos morrer, significa que o egocentrismo não é mais a força dominante na nossa vida. As coisas não precisam revolver em torno de como nós as vemos todo o tempo. Ao invés disso, abrimos um espaço dentro de nós para aquilo que é universalmente verdadeiro. Nós então compreendemos que, por que existem erros em cada aspecto da existência condicionada, a perfeição não será encontrada em lugar nenhum.

Todos nós conhecemos o medo que surge repetidamente quando começamos a nos conhecer de verdade, do tipo “talvez eu não seja tão bom quanto eu pensava, e se eu não sou bom, outras pessoas irão me desaprovar”. Mas, pra começo de conversa, essa é uma premissa muito simplificada da realidade, acreditar que temos que ser sempre perfeitos, excelentes em tudo. Mas que expectativa é essa? Tudo possui limites, nada é absolutamente perfeito ou bom de tal forma que possa ser assim em qualquer situação; uma pá pode ser muito boa quando usada para escavar a terra, mas se você quiser perfurar uma rocha com ela é claro que não será tão eficiente assim.

Uma forma muito eficiente de superar o medo da reprovação e também a dependência de elogios é a contemplação da impermanência. Deveríamos lembrar também que estamos mudando constantemente. Nossos poderes e capacidades podem ser vistos flutuando de um momento para outro. Se pudermos ver como tudo muda em nós mesmos, será lógico concluir que o mesmo acontece com todos os demais. Assim, a partir desta perspectiva é mais fácil se tornar livre do medo de ser criticado e também do hábito de criticar, simplesmente porque ninguém é tão bom ou tão mau de forma a receber apenas elogios ou críticas. Se somos indignos de receber elogios, entendemos que isso mudará tão rapidamente quanto mude nosso comportamento.

Assim, ao tornarmo-nos mais conscientes da impermanência, especialmente da impermanência do mau comportamento, nós acharemos mais fácil abandonar o medo de receber críticas e o hábito de prestar atenção obsessiva aos pequenos erros dos outros. Na verdade, essa compreensão é a porta para a solidariedade e para conexão com as pessoas, bem como para o autoconhecimento sincero.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.  

Versos (e vídeo) para a impermanência

Eis que vejo tudo se transformando,
Como bruma na espuma do mar.

Os sonhos, de tanto que sonhei,
Também em realidade se transformaram.

Tudo o que foi feito será desfeito.
Tal é o hino da vasta existência,
Entoado em todas as partes,
Recitado pelo verso do Universo:

– Permanente lei da impermanência.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.