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Sobre o medo de receber críticas

O medo da censura e da reprovação nos faz dependentes do elogio alheio é a raiz das nossas frustrações relacionais, na medida em que vamos nos tornando relutantes em iniciar um processo sincero de autoanálise. O primeiro passo para se libertar do sofrimento de receber críticas é se tornar consciente da existência desse medo de ser repreendido, do desacordo, da falta de apoio e apreciação.Nosso medo primordial é o medo da não-existência. De modo subliminar, ele está presente em todos nós e pode emergir repentinamente com o pânico, simplesmente por que nós não queremos experimentar a extinção. O medo da censura é o mesmo que o nosso medo da morte, da nossa autoafirmação. No final, é o medo de não estar mais aqui. É claro que quando recebemos uma acusação, não tememos desaparecer naquele momento; tememos o desaparecimento da nossa autoestima que depende da apreciação dos outros. Mesmo sendo tal ideia uma ilusão criada pelo ego, a maioria das pessoas está totalmente convencida dela, algumas ao ponto da obsessão, de modo que elas ficam o tempo todo tentando agradar a todos a fim de evitar a crítica. Mas isso é possível? Nós, em primeiro lugar, sequer sabemos certamente quais são os sentimentos e desejos das outras pessoas. E em segundo lugar, uma crítica pode ser realmente muito útil para nosso crescimento, sendo que a ideia de evita-las a qualquer custo é somente uma fuga criada pelo desejo infantilizado de aceitação incondicionada.

Que nós queremos aplauso e elogio é um fato da vida, e realmente elogiar e ser elogiado são atitudes benéficas e que promovem a motivação e a vontade de crescimento, mas também assim deveríamos receber as críticas construtivas que nos são dirigidas.

Por outro lado, o autoconhecimento honesto é essencial para que sejamos capazes de abandonar as nossas obsessões, inclusive o nosso medo da censura. Pois só podemos abandonar aquilo que tivermos reconhecido completamente por nós mesmos, e é bem desnecessário transformar o nosso medo da censura em medo do autoconhecimento. O fato de sermos capazes de abandonar o ego, depois de termos compreendido que isso não significa que iremos morrer, significa que o egocentrismo não é mais a força dominante na nossa vida. As coisas não precisam revolver em torno de como nós as vemos todo o tempo. Ao invés disso, abrimos um espaço dentro de nós para aquilo que é universalmente verdadeiro. Nós então compreendemos que, por que existem erros em cada aspecto da existência condicionada, a perfeição não será encontrada em lugar nenhum.

Todos nós conhecemos o medo que surge repetidamente quando começamos a nos conhecer de verdade, do tipo “talvez eu não seja tão bom quanto eu pensava, e se eu não sou bom, outras pessoas irão me desaprovar”. Mas, pra começo de conversa, essa é uma premissa muito simplificada da realidade, acreditar que temos que ser sempre perfeitos, excelentes em tudo. Mas que expectativa é essa? Tudo possui limites, nada é absolutamente perfeito ou bom de tal forma que possa ser assim em qualquer situação; uma pá pode ser muito boa quando usada para escavar a terra, mas se você quiser perfurar uma rocha com ela é claro que não será tão eficiente assim.

Uma forma muito eficiente de superar o medo da reprovação e também a dependência de elogios é a contemplação da impermanência. Deveríamos lembrar também que estamos mudando constantemente. Nossos poderes e capacidades podem ser vistos flutuando de um momento para outro. Se pudermos ver como tudo muda em nós mesmos, será lógico concluir que o mesmo acontece com todos os demais. Assim, a partir desta perspectiva é mais fácil se tornar livre do medo de ser criticado e também do hábito de criticar, simplesmente porque ninguém é tão bom ou tão mau de forma a receber apenas elogios ou críticas. Se somos indignos de receber elogios, entendemos que isso mudará tão rapidamente quanto mude nosso comportamento.

Assim, ao tornarmo-nos mais conscientes da impermanência, especialmente da impermanência do mau comportamento, nós acharemos mais fácil abandonar o medo de receber críticas e o hábito de prestar atenção obsessiva aos pequenos erros dos outros. Na verdade, essa compreensão é a porta para a solidariedade e para conexão com as pessoas, bem como para o autoconhecimento sincero.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.  

A interação nos humaniza

Por Márcia Cândido

Hoje, fala-se muito em comunicação integrada. Mas, o que vem a ser isto? Fazemos uso das palavras para comunicar ideias e articular novos formatos ou conceitos. Trabalhar em equipe pressupõe interagir e transformar conceitos – que estão a nível abstrato –  em algo concreto.

Um dos princípios básicos para a gestão da comunicação integrada é o reconhecimento da relação de troca. Quando você reconhece o valor da troca, você conhece o ‘pulo do gato’ da comunicação. E da vida. Quando fazemos trocas, incluímos o outro em nosso discurso e dividimos conhecimento, aspirações, conquistas, medos, anseios, enfim, vivemos juntos.

Tem gente que passa a vida toda esquivando-se de fazer trocas, esquecendo-se de que o sucesso de toda e qualquer empreitada está, exatamente, na capacidade de interagir, articular e produzir, ou seja, para que tudo aconteça você precisa de cooperação.

Cooperação gera resultados. Para a empresa é ótimo. E para nós, enquanto seres humanos? Sem dúvida, a troca nos faz crescer. Em equipe, fica mais fácil seguir e contribuímos para a evolução de todos que estão próximos.

Eu fico por aqui.

Até nosso próximo encontro.

Nada nos perturba se não permitirmos

Por Márcia Cândido

Sempre uso esta expressão quando me aproximo das pessoas que vou entrevistar ao longo do dia. Evidentemente, me refiro àquelas abordagens feitas nas ruas e quando a pessoa em questão não faz a mínima ideia de quem sou e o que pretendo. Nas entrevistas programadas e planejadas com um pouco de antecedência, o primeiro contato é feito por telefone, o que elimina a abordagem acima, mas não descarta gentilezas.

Mas, nem sempre foi assim. No início da carreira, sinceramente, eu acreditava que bastava uma aproximação agressiva – não no sentido físico, mas algo sutil -, capaz de intimidar a ‘vítima’ e conseguir desequilibrar suas emoções para que ela, acuada, me desse a informação que eu precisava.

Nada melhor que o tempo para nos mostrar caminhos mais interessantes! Resolvi inserir no meu dia a dia um pouco mais de gentileza e, confesso, que nunca mais voltei à Redação sem a informação que fui buscar.

É aquela velha história: gentileza gera gentileza. É certo que as vezes ainda ouço: ‘agora, não dá para falar” ou “vou buscar detalhe sobre este assunto e depois converso com você” ou ainda “me liga depois”, mas até isso é informação importante.

Contudo, se mesmo com toda gentileza o outro ainda se mantiver distante, irredutível, amargo ou com raiva?

Também incorporei outro pensamento no dia a dia: Não precisamos entrar na sintonia, pois assim não há ciclo. E se não há ciclo, não precisamos alimentá-lo.

Tanto no local de trabalho, em contato com a equipe, quanto nos contatos no dia a dia, nada nos perturba se não permitirmos

Eu fico por aqui. Até breve!