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Como tratar o cliente

Por Márcia Cândido*

O cliente precisa do seu serviço. Ele busca assessoria, quando esta é sua praia. Caso seu propósito seja atender, o cliente busca atendimento. Então, ele o procura para aquilo que é óbvio: ele precisa de algo que você tem. Ele quer trocar bens ou produtos, conhecimento, informações ou busca serviços. Chegar ao final do dia, nem sempre é sinônimo de batalha ganha, pois o day after também será permeado de desafios e riscos.

Oferecer um bom produto, atender bem para conquistar simpatia e confiança, suprir as necessidades do cliente e atraí-lo é uma grande jogada. Atenção no trato, interesse no assunto, ouvir o que ele está falando parece óbvio, mas passamos grande parte de nosso tempo fora do momento presente.

Mal atendemos um cliente e já estamos preocupados com o próximo. Não terminamos uma assessoria e estamos olhando o relógio para encaixar alguém entre um e outro assessorado. Muitas vezes ouvimos, mas em nosso íntimo estamos articulando pensamentos para o que vamos falar em seguida. São as artimanhas do mundo que exigem, cada vez mais, nossa presença e, à reboque, a nossa especialização.

Eis o grande desafio: manter o foco. Cabe lembrar das três perguntas, cujas respostas contemplam toda a sabedoria que precisamos.

1 – Qual é o momento mais importante?

2 – Quem é a pessoa mais importante?

3 – Qual é a coisa mais importante a fazer?

O momento mais importante é o agora. O tempo presente é o que temos, é o tempo que podemos mudar e influenciar. A pessoa que está diante de nós é a pessoa mais importante do momento. É aquele ou aquela com quem estamos. Então, cliente, paciente, aluno, comprador, enfim, seja quem estiver conosco, naquele momento, esta, sim, é a pessoa mais importante. Trate-a com distinção e ela sentirá esta energia fluindo. E a coisa mais importante a fazer? Cuidar, que pode entendido como preocupar-se ou tomar cuidado.

Então, tomar cuidado com aquele que nos procura, tratá-lo como a pessoa mais importante do momento, também vale para o mundo dos negócios. E como vale!

Na paz

Eu espero você para nosso próximo encontro.

*Márcia Cândido é jornalista. Atua prestando assessoria de imprensa e em treinamentos para lidar com a mídia. Especialista em jornais empresariais, vê na comunicação um grande aliado para o sucesso de toda iniciativa.

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O pão nosso de cada dia

Não pense que sua vida será fácil; tratá-la dessa forma seria menosprezar seus desafios e suas oportunidades de crescimento. Tampouco caia no engodo de se enxergar como vítima das circunstâncias e, em nome disso, ficar paralisado no meio do caminho de mãos abanando, sem ter o que comer.

É necessário buscar o pão de cada dia, é necessário fazer por merecê-lo. Esse pão significa nosso alimento espiritual, nossa motivação interior, nossa força para seguir adiante. Nós somos responsáveis por ele, e isso quer dizer que temos que misturar os ingredientes, bater a massa, levar ao forno e ficar espertos para não queimá-lo. Ninguém pode fazer isso por nós, pois esse pão interior está dentro e não fora. É claro que podemos receber muita ajuda e também podemos ajudar os outros, mas a despeito de toda a ajuda que possamos dar ou receber, no fim das contas nós sempre temos a responsabilidade de como utilizamos as ferramentas e matéria prima que temos disponíveis.

Superação requer esforço e sacrifício, e eu não conheço outros atalhos para isso. Se você almeja alcançar realização profissional você terá que se preparar, que melhorar suas habilidades, que aprender uma nova forma de aproveitar os recursos disponíveis. Se você quer melhorar uma relação, um casamento ou se quer lidar melhor com as pessoas ao redor, então será necessário rever hábitos e posturas, mudar atitudes e buscar maneiras de transpor velhos obstáculos emocionais. Resumindo, é necessário agir com intenção, pois sem ação nada de concreto irá se realizar.

Através de esforços sucessivos vamos aproximando-nos dos nossos objetivos, mesmo que lentamente. É muito importante entender que o princípio dos esforços sucessivos repousa na paciência e persistência, sem os quais desistimos facilmente. Tentamos, tentamos de novo e assim vamos progredindo passo a passo, etapa por etapa na transformação que buscamos. Ao mesmo tempo, o sacrifício representa o desapego ao prazer, a mudança do crescimento, a opção consciente de prosseguir e melhorar ao invés de estacionar na zona de conforto. É a habilidade de abrir mão da velha forma e incorporar o novo.

Os esforços sucessivos podem ser representados pelo calor do forno, e o sacrifício, pelo fermento. O calor transforma lentamente, com persistente paciência, e o fermento faz crescer de dentro para fora, preparando a nova forma. Se um deles está ausente, o pão simplesmente não fica pronto. Ao mesmo tempo, o excesso também é prejudicial, ou seja, há uma medida exata para cada um deles.

E cada dia é novo, cada receita é diferente. Podemos inovar, criar, balancear os temperos. Podemos experimentar.

Se pararmos no meio do caminho, se deixarmos de assar esse pão todos os dias, vamos morrendo lentamente. E essa é a pior morte que existe, uma vez que você ainda está vivo para testemunhá-la; você começa a desacreditar nas coisas, começa a duvidar da sua existência e passa a não encontrar mais sabor em sua vida. Portanto, é necessário ganhar o pão de cada dia, é necessário manter-se motivado para não perder o sentido que pode ser encontrado durante a jornada nesse planeta. Caso contrário, você irá comer um pão velho, duro e mofado.

Acredito na ação, nos fatos. Acredito em colocar a mão na massa, em assar esse pão todos os dias da melhor forma possível. Finalmente, acredito que o sabor que experimentamos nessa vida depende do calor e do fermento que usamos em nossa transformação interior.

E você, como têm assado o seu pão? Envie-nos uma mensagem e conte sua experiência, vamos trocar receitas!

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

Tocando o vazio

Essa é uma história verdadeira.

Em junho de 1985, Joe Simpson e seu parceiro de escaladas, Simon Yates, chegam ao cume do Siula Grande, a 6300 metros de altura, nos Andes peruanos. A face oeste da montanha, via que os dois tinham escolhido para escalar, nunca havia sido conquistada, ou seja, nunca ninguém havia subido por ela até ao pico. Logo depois da façanha, porém, os dois se assustaram ao ver que a rota da volta era muito mais perigosa e traiçoeira do que haviam imaginado.

Já no começo da descida, um desastre de conseqüências muito graves: Joe escorrega ao tentar desescalar uma parede de gelo e quebra a perna. Com 91 metros de corda disponível, os dois combinam uma estratégia: Simon desceria Joe pela corda, em pequenos lances, e esperaria por um puxão que significava que o amigo já estava apoiado em alguma superfície segura. Depois então, Simon iria descer e repetir a manobra até o final.

 Nas horas seguintes, cai a noite e uma tempestade de neve se fecha sobre eles enquanto Simon tenta desesperadamente avançar pico abaixo, descendo o amigo com o auxílio de cordas de lance em lance através da técnica de rapel, e assim ambos iam progredindo lentamente em direção à base.

Porém, numa das descidas mais aceleradas e difíceis, castigado pela neve e por rajadas de vento, Joe fica suspenso no vazio, sobre uma imensa greta, sem conseguir tocar a parede de gelo e impossibilitado de tentar alguma manobra de salvamento em direção a alguma superfície de apoio. Joe está tocando o vazio.

Enquanto isso, metros acima está Simon segurando a corda pela qual Joe está pendurado. Simon não tem contato visual com Joe, que se encontra absolutamente dependurado sobre a greta e longe de qualquer apoio que pudesse aliviar a tensão na corda.

Simon, esgotado fisica e emocionalmente, congelado de frio e em seu limite de forças não consegue mais segurar o amigo. Ele já estava segurando a corda por 1 hora. Mais algum tempo nessa situação e será arrastado para o abismo junto com Joe.

Em sua mente, a decisão inevitável que teria que tomar: cortar ou não a corda? Ninguém, absolutamente ninguém gostaria de se ver forçado a fazer tal escolha, e Simon sabia muito bem as consequências de sua decisão.

Simon, urrando de dor e arrependimento, corta então a corda. Após, enfrenta uma terrível descida no meio da noite onde quase morre também, e chega ao acampamento base angustiado por ter mandado seu amigo para a morte.

Quando Simon cortou a corda, Joe caiu 40 metros na fenda abaixo. Depois de vários montes de neve terem amortecido sua queda, ele caiu sobre uma saliência de gelo. Em meio a uma quase total escuridão e um frio de rachar, com precipícios desconhecidos ao redor, Joe decidiu usar os restos da corda para descer às profundezas ainda existentes. Em suas palavras: “Em segundos, toda minha perspectiva mudou. As cansativas e assustadoras horas da noite foram esquecidas… eu poderia fazer algo positivo. Poderia me arrastar, subir e continuar fazendo isso até escapar daquela cova“.

Ele foi descendo até encontrar o chão; quando veio o amanhecer, Joe pôde subir até a lateral da montanha. Ele não estava ainda completamente a salvo: teria de descer e cruzar um vale rochoso, apesar de sua perna quebrada. Continuou a impulsionar a si mesmo cantando “Mexa-se, pare de cochilar, mexa-se!”. Uma grande determinação tirou Joe Simpson de Siula Grande, que se arrastou por dias pelos mais de 20 Km até o acampamento base.

Quando Joe chegou finalmente à base, Simon estava se preparando para ir embora, uma vez que não tinha dúvidas de que seu amigo estava morto. Um alívio enorme preencheu o coração de ambos: um, por ter visto o amigo de volta e entendido que a decisão tomada de cortar a corda fora certa, embora drástica. O outro, por ter superado o enorme desafio de se manter vivo em meio à solidão, dor e desespero na qual se encontrava.

 Enquanto várias pessoas criticam o fato de Simon ter cortado a corda, Joe é o primeiro a admitir que teria feito a mesma coisa. Na verdade, ele disse que ficou surpreso que o amigo ainda tivesse tentado ficar com um alpinista ferido.

A experiência de Simpson foi certamente assustadora e, para muitos, quase impensável. Mas, como vários sobreviventes, a vontade de continuar vivendo foi maior que a outra opção – a decisão de se deixar abater pela dor ou pelo desespero. Depois de várias cirurgias, a perna de Simpson foi totalmente recuperada e ele continua a escalar montanhas.

Essa é uma história verdadeira e uma lição de vontade para superar dificuldades. Ela foi eternizada no livro e no filme “Tocando o Vazio”.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.