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Tocando o vazio

Essa é uma história verdadeira.

Em junho de 1985, Joe Simpson e seu parceiro de escaladas, Simon Yates, chegam ao cume do Siula Grande, a 6300 metros de altura, nos Andes peruanos. A face oeste da montanha, via que os dois tinham escolhido para escalar, nunca havia sido conquistada, ou seja, nunca ninguém havia subido por ela até ao pico. Logo depois da façanha, porém, os dois se assustaram ao ver que a rota da volta era muito mais perigosa e traiçoeira do que haviam imaginado.

Já no começo da descida, um desastre de conseqüências muito graves: Joe escorrega ao tentar desescalar uma parede de gelo e quebra a perna. Com 91 metros de corda disponível, os dois combinam uma estratégia: Simon desceria Joe pela corda, em pequenos lances, e esperaria por um puxão que significava que o amigo já estava apoiado em alguma superfície segura. Depois então, Simon iria descer e repetir a manobra até o final.

 Nas horas seguintes, cai a noite e uma tempestade de neve se fecha sobre eles enquanto Simon tenta desesperadamente avançar pico abaixo, descendo o amigo com o auxílio de cordas de lance em lance através da técnica de rapel, e assim ambos iam progredindo lentamente em direção à base.

Porém, numa das descidas mais aceleradas e difíceis, castigado pela neve e por rajadas de vento, Joe fica suspenso no vazio, sobre uma imensa greta, sem conseguir tocar a parede de gelo e impossibilitado de tentar alguma manobra de salvamento em direção a alguma superfície de apoio. Joe está tocando o vazio.

Enquanto isso, metros acima está Simon segurando a corda pela qual Joe está pendurado. Simon não tem contato visual com Joe, que se encontra absolutamente dependurado sobre a greta e longe de qualquer apoio que pudesse aliviar a tensão na corda.

Simon, esgotado fisica e emocionalmente, congelado de frio e em seu limite de forças não consegue mais segurar o amigo. Ele já estava segurando a corda por 1 hora. Mais algum tempo nessa situação e será arrastado para o abismo junto com Joe.

Em sua mente, a decisão inevitável que teria que tomar: cortar ou não a corda? Ninguém, absolutamente ninguém gostaria de se ver forçado a fazer tal escolha, e Simon sabia muito bem as consequências de sua decisão.

Simon, urrando de dor e arrependimento, corta então a corda. Após, enfrenta uma terrível descida no meio da noite onde quase morre também, e chega ao acampamento base angustiado por ter mandado seu amigo para a morte.

Quando Simon cortou a corda, Joe caiu 40 metros na fenda abaixo. Depois de vários montes de neve terem amortecido sua queda, ele caiu sobre uma saliência de gelo. Em meio a uma quase total escuridão e um frio de rachar, com precipícios desconhecidos ao redor, Joe decidiu usar os restos da corda para descer às profundezas ainda existentes. Em suas palavras: “Em segundos, toda minha perspectiva mudou. As cansativas e assustadoras horas da noite foram esquecidas… eu poderia fazer algo positivo. Poderia me arrastar, subir e continuar fazendo isso até escapar daquela cova“.

Ele foi descendo até encontrar o chão; quando veio o amanhecer, Joe pôde subir até a lateral da montanha. Ele não estava ainda completamente a salvo: teria de descer e cruzar um vale rochoso, apesar de sua perna quebrada. Continuou a impulsionar a si mesmo cantando “Mexa-se, pare de cochilar, mexa-se!”. Uma grande determinação tirou Joe Simpson de Siula Grande, que se arrastou por dias pelos mais de 20 Km até o acampamento base.

Quando Joe chegou finalmente à base, Simon estava se preparando para ir embora, uma vez que não tinha dúvidas de que seu amigo estava morto. Um alívio enorme preencheu o coração de ambos: um, por ter visto o amigo de volta e entendido que a decisão tomada de cortar a corda fora certa, embora drástica. O outro, por ter superado o enorme desafio de se manter vivo em meio à solidão, dor e desespero na qual se encontrava.

 Enquanto várias pessoas criticam o fato de Simon ter cortado a corda, Joe é o primeiro a admitir que teria feito a mesma coisa. Na verdade, ele disse que ficou surpreso que o amigo ainda tivesse tentado ficar com um alpinista ferido.

A experiência de Simpson foi certamente assustadora e, para muitos, quase impensável. Mas, como vários sobreviventes, a vontade de continuar vivendo foi maior que a outra opção – a decisão de se deixar abater pela dor ou pelo desespero. Depois de várias cirurgias, a perna de Simpson foi totalmente recuperada e ele continua a escalar montanhas.

Essa é uma história verdadeira e uma lição de vontade para superar dificuldades. Ela foi eternizada no livro e no filme “Tocando o Vazio”.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

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O prazer de saborear um livro

Por Márcia Cândido*

Dizem que o brasileiro não gosta de ler. Muitos acreditam que, com o advento da informática, da Internet e das mídias sociais, o interesse do público, sobretudo o juvenil, tem sido afetado.

Nem é preciso recorrer a pesquisas para perceber o óbvio. Em um shopping, por exemplo, é muito mais comum encontrar jovens nas praças de alimentação, nos cinemas e nos espaços livres que em livrarias. Quando eles leem algo, a motivação é algum trabalho escolar. Mas não podemos ser tão absolutos.

Será mesmo que todas as inovações roubam o olhar do leitor? Lembro-me das intermináveis discussões travadas em tempos de faculdade, quando discutíamos a preocupação das gerações anteriores à nossa, que temiam que o ibope do rádio ficasse comprometido com a popularização da TV e esta seria banida, com o advento da Internet. Discussões acirradas também quanto a descoberta da fotografia. Para muitos, a pintura estaria condenada.  Enfim, tudo não passou de temor. Todas estas artes, todas as ferramentas de comunicação se mantém até hoje. Cada uma com seu público específico.  Uma não eliminou a outra.

Quanto à leitura, basta observar à nossa volta para perceber que muita coisa vem mudando. Com os jornais em formato tablóide, vendidos a preços mais acessíveis, o consumo de informação aumentou. Em relação aos livros, eles estão cada vez mais cobiçados, principalmente, em feiras, como a que está acontecendo em Belo Horizonte, nesta semana. A Bienal do Livro de Minas vem despertando a emoção de ler, resgatando o prazer de folhear uma publicação e o mais interessante, por preços bem acessíveis. Cuidadosamente arrumados nas galerias, eles chegam ao fim do dia espalhados pelas bancas, disputadíssimos pelos dedos ávidos dos leitores que procuram os títulos mais adequados àcada estilo.

E como dá gosto ver tanta gente lendo! Crianças de todas as idades, adultos, jovens, espalhados pelos pufs, nos almofadões, nos bancos entre as ruas da exposição saboreando, ali mesmo, as páginas recheadas de poesias, histórias, informações diversas.

“Não acredito que você vai embora sem comprar um livro!”,ouvi uma mulher indignada com a amiga. Pode parecer absurdo, mas ainda tem gente que não se deixa seduzir pelo prazer de ler, sem saber que ali está a chave de tudo.

Leitura é hábito e adquire-se na infância. Dentre as grandes lembranças que trago da mais tenra idade, uma é a de meu pai, Manoel, lendo, enquanto me balançava na rede do alpendre.  Muito tempo depois, ele deixou de ser leitor para ser escritor e lançou suas memórias. Ainda é um apaixonado por leitura, mas tem seu estilo próprio.

Já que estamos em um site que ressalta a gestão do conhecimento, aí vai a dica: o berço de todo o conhecimento está na leitura. Ela é a chave!

Eu espero você para nosso próximo encontro. Até lá.

*Márcia Cândido é jornalista. Atua prestando assessoria de imprensa e em treinamentos para lidar com a mídia. Especialista em jornais empresariais, vê na comunicação um grande aliado para o sucesso de toda iniciativa.

Coaching Pessoal: tirando dúvidas

Tenho recebido muitos e-mails de pessoas interessadas em saber mais sobre o processo de Coaching Pessoal, uma metodologia cada vez mais aplicada e que vem crescendo muito no Brasil nos últimos anos. Assim, dedicarei este post para responder as principais perguntas sobre o assunto.

– O que é o Coaching Pessoal e para quê serve?

R: O Coaching Pessoal se baseia num processo de desenvolvimento individual focalizado em uma situação ou em aspectos específicos a serem trabalhados pelo Coachee em sua vida, através da ajuda do seu Coach. Por exemplo, se você quer trabalhar sua segurança pessoal, suas relações interpessoais ou algum aspecto específico da sua personalidade em que sinta dificuldades, é possível realizar isso através do Coaching. Ou então, pode ser aplicado para administrar e encontrar soluções para alguma situação específica vivida no trabalho, na família ou, ainda, como suporte para alcançar metas e objetivos para os quais você sinta necessidade de uma ajuda.

No processo de coaching serão então mapeadas habilidades e competências a serem trabalhadas, melhoradas e aperfeiçoadas, bem como metas a serem alcançadas de acordo com a demanda estipulada. Depois então é traçado um plano de ação para que os objetivos sejam realizados.

Em última análise, o coaching é um processo de organização e alinhamento entre percepções, ações e metas. É um acompanhamento personalizado e ajustado de acordo com cada demanda pessoal, e gera autoconhecimento e desenvolvimento para quem o realiza, possibilitando a transposição de uma situação existente para outra desejada.

– Qual é a metodologia utilizada?

R: Normalmente é realizado um encontro presencial semanal, de uma a uma hora e meia de duração, além do uso de outros meios de comunicação, como internet. Basicamente o método é composto de 4 fases. Na primeira fase, é delimitada a demanda e mapeadas habilidades e competências já existentes, e também aquelas necessárias para atender aos objetivos. Na segunda fase, o plano de ação é traçado de acordo com a realidade existente e direcionado aos objetivos previamente estabelecidos. Na terceira fase o plano de ação é aplicado. Na quarta fase são realizados ajustes de acordo com os feed backs de todo o processo. Essa é uma visão geral. Tudo isso foi organizado dentro do Sistema A4, já publicado nesse site.

– Quanto tempo dura?

R: Normalmente o processo dura, em média, de 10 a 14 sessões para um conjunto de metas alinhadas entre si, ou seja, uma média de 3 meses. Mas dependendo do caso esse tempo pode ser maior ou menor. As metas devem ser alinhadas entre si por que, caso estejam desalinhadas e exista conflito entre elas, os objetivos não serão atingidos satisfatoriamente.

– Não entendi o que significa “metas desalinhadas”.

R: Por exemplo, uma pessoa procurou o Coaching e tinha dois objetivos iniciais: queria ser aprovado em um concurso público de elevado nível de exigência e, ao mesmo tempo, realizar uma transição profissional entre a área que atuava e outra distinta para, caso não fosse aprovado no concurso, ter melhoras na situação profissional. Entretanto, uma meta competia com a outra em tempo, energia e foco de dedicação, e assim foi necessário eleger apenas uma delas, no caso a do concurso.

– Como foi possível aplicar o Coaching no caso do concurso público?

R: Nesse caso foi organizado um método de estudo e preparação mais eficiente para os exames, além de ter sido trabalhado a oratória e a ansiedade de falar em público, uma vez que havia prova oral no concurso.

– Eu preciso ter um objetivo claro para fazer Coaching?

R: A princípio, sim. Mas também pode ser que sua meta seja justamente organizar e identificar objetivos em sua vida pessoal, a fim de obter crescimento e desenvolvimento.

– E se eu quiser continuar o Coaching por mais tempo que o previsto?

R: Em alguns casos o acompanhamento do tipo “Mentoring” é possível, e este se caracteriza como uma tutoria em algumas áreas específicas, com tempo de duração mais prolongado. Mas é um processo diferente do Coaching.

– O Coaching é uma terapia clínica?

R: Não. Embora muitos aspectos da personalidade sejam trabalhados, como autoestima, segurança pessoal, habilidades relacionais, ansiedade, assertividade e outros, o Coaching Pessoal não trata de casos clínicos médicos ou psicológicos específicos onde a intervenção de um profissional da área seja necessária, como um Médico Psiquiatra, por exemplo.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.