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Surfando o agora

Costumo dizer que viver é surfar nas ondulações da realidade. A realidade nunca é estática, e por isso sempre há um vir a ser, um fluxo no presente, uma infinita oscilação de fatos, energias e acontecimentos.

Se encararmos o universo à nossa volta como um mar dinâmico de energia, podemos concluir que suas ondas chegam a nós a todo o momento. A cada milissegundo somos tocados por algum tipo de flutuação energética, material ou não. Ações, palavras e pensamentos são produzidos em número infinito por todos os seres senscientes, por toda forma de vida. Essa flutuação no campo da energia ao nosso redor traz movimentos, novas oportunidades, renovação. Nesse mar, nada é estático.

Podemos encarar nossos dias como se fossem dias de surf nas ondas da existência do tempo-espaço chamado aqui-agora. A grande questão é pegar a onda da melhor forma possível, aproveitando o que se manifesta neste momento. É preciso estar atento para vê-la chegando, preparado para não perder a oportunidade e ficar de pé na prancha sem cair, aproveitando ao máximo o potencial de cada onda.

Em alguns dias só tem marola; noutros, as ondas já quebram com força. E ainda há os dias de tempestade, nos quais é melhor administrar a situação até que o mar fique mais calmo. Entendendo a realidade dessa forma, ninguém se meteria oceano adentro em um dia de mar revolto; é melhor esperar o tempo melhorar.

Uma onda nunca é igual à outra. Isso equivale a dizer que ela tem que ser surfada de forma única e sem apegos. A técnica vai se lapidando dia após dia, a flexibilidade aumentando e toda experiência vivida – por mais difícil que seja – vai acumulando aperfeiçoamento, uma após outra.

Às vezes pegamos uma sequência incrível, outras vezes só rola onda quebrada ou marolinha – uma a uma vamos aprendendo sobre os ciclos da natureza ao nosso redor. E vamos aprendendo a respeitar os sinais do Grande Oceano.Na verdade, nunca sabemos o que está por vir. Claro que podemos prever que num dia claro e sem vento não haverá muitas ondas grandes, ou que em um dia chuvoso o mar ficará agitado – mas ainda assim é apenas uma previsão. Nunca sabemos o que a maré ira trazer para a praia em que estamos. Esse grande mistério é que sustenta um sentimento, um bálsamo em nossa vida: a esperança. Esperamos sempre por ondas melhores, e isso é muito bom, porque nos dá força para prosseguir. Mas o bom surfista também pratica a aceitação, e trata de fazer o melhor com o que tem. Não adianta reclamar da prancha ou do mar, o negócio é aproveitar o que de melhor há.

Para surfar o agora é necessário uma mente fluida e um corpo em boas condições. Cuide bem deles, assim também como da sua prancha. Respeite os outros surfistas e crie boas relações com eles, cada um tem uma forma e um tempo diferente de pegar onda, mas todos estão literalmente na mesma praia. Não suje o mar, pois o lixo que você joga hoje nele pode te derrubar amanhã na próxima maré.

E o mais importante: se cair, levante e espere a próxima. Uma onda segue a outra, assim o mar olha pro mundo.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

 

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