Benvindo ao ano novo de 4710

Sim, é isso mesmo meu chapa, feliz 4710! Hoje, dia 23 de janeiro, inicia-se o ano de 4710 no calendário Chinês, o famoso ano do dragão, que foi comemorado com muita festa lá pelas bandas do oriente neste fim de semana. Chineses, japoneses e outros povos asiáticos estão esperançosos, cheios de planos e metas para o ano novo: de acordo com este calendário, os anos regidos por este animal são sempre cheios de energia transformadora e trazem muitas possibilidades de mudanças, que podem ir desde o sucesso total até as grandes catástrofes coletivas.

Bom, mais ou menos, né? Se você ficar sentado no sofá vendo novela, nada de novo ocorrerá em sua vida. A sabedoria milenar oriental é clara: quando causas e condições se encontram, o carma floresce. Veja bem: causas e condições. Isso significa que nada acontece por acaso neste Universo, nada é casualidade, mas tudo é causalidade. Opa, não leia rápido não: a natureza opera na causalidade, e não na casualidade. As condições podem estar favoráveis, mas se você não agir nas causas, de nada adianta. Vou dar um exemplo: você tem uma semente de manga na mão, fresquinha de boa qualidade. Você também tem um quintal onde tem boa terra, e o clima é bom na sua região. Isso quer dizer que as condições são propícias, são favoráveis, terra boa e clima amigável. Mas se você não colocar a bendita semente na terra, adubar de vez em quando, cortar as ervas daninhas e dar uma força quando a chuva atrasar, então meu amigo, não tem dragão que faça milagre. Você não vai chupar manga se não plantar a semente. Plantar a semente é a causalidade, é a causa motor que vai tocar o barco. A terra boa e o clima são as condições. Causas e condições harmônicas, quando operam juntos, significam bons resultados, carma positivo.

Agora, se escolhemos cruzar os braços e ao invés de cuidar do nosso quintal ficamos fofocando sobre o do vizinho, então é outro tipo de carma que vem: o da estagnação, do prejuízo, do fracasso. É isso o que significa a palavra carma em sua origem na língua páli: kamma, ou ação. Você age, e colhe o resultado, lembrando que deixar de agir é também ação. Omissão e inatividade não serão desculpas quando o dragão aparecer na sua frente bufando fogo.

Então vamos entender bem: a natureza opera em ciclos, e este ciclos possuem ritmos. Aprendemos bem isso com as marés e o ciclo lunar, por exemplo. Ou alguém aqui vai peitar e entrar num rochedo durante a maré alta e brava? É isso ai, se você cortar o bambu na lua errada ele não terá uma vida útil longa, ele vai secar e apodrecer rapidinho. Eu mesmo já cometi esse erro. Então aprendemos um pouco sobre esses ciclos e ritmos da natureza, que afetam diretamente as condições do planeta, e aprendemos que existe uma hora pra tudo. No ano do dragão, que se repete no ciclo de cada 12 anos, é dito que as energias são propícias às mudanças, aos empreendimentos, aos saltos de transformação. É claro que tudo isso sempre pode acontecer em qualquer ano, mas não se esqueça do ritmo entre as marés e o rochedo. Então estão dizendo, como resultado de uma milenar cultura de observação, que o ano do dragão é um momento que reúne boas condições.

Na dúvida, vai lá ao quintal e plante sua semente. Você pode até não acreditar muito em horóscopo de jornalzinho, como eu também não acredito, mas nós temos um ano novo inteirinho pela frente, e dizem que este é dos bons. Não só plante, mas cuide e trabalhe no cultivo. Você nunca saberá quais serão os resultados de suas novas ações, mas se nada fizer nada de novo acontecerá. Planejar, inovar, tentar e perseverar é de suma importância.

Sim, o ano novo é do dragão, mas não espere que ele entre voando pela sua janela. As condições naturais já estão operando neste mesmo instante, então é hora de começar a agir nas causas. Vamos propor ao nosso amigo alado uma sociedade, meio a meio, sacou? Vamos fazer a nossa parte e cuidar do quintal, e do resto cuida a natureza com seus ritmos.

Agora, pra quem insiste em ficar sentado no sofá: depois não adianta ficar bravo e cuspir fogo, hein?

Votos de luz no ano do dragão,

Gustavo Mokusen.  

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Como anda seu equilíbrio emocional?

É reconhecido que o bem estar coletivo está intimamente interligado com o equilíbrio emocional individual, posto que uma pessoa emocionalmente equilibrada atua como agente multiplicador de sua qualidade emocional no ambiente em que vive. Gostaria de apresentar alguns dos principais indicadores, habilidades e competências de uma vida emocionalmente equilibrada:

Autoconsciência: é sua capacidade de observar-se e reconhecer os próprios sentimentos, emoções, pensamentos e reações com fidedignidade, sem aumentar ou diminuir; dar-se conta de suas ações e conhecer as conseqüências delas; saber se uma ação está sendo governada por pensamento, emoção ou sentimento.

Flexibilidade emocional: é a habilidade de monitorar a “conversa consigo mesmo” para compreender o que está por trás de uma emoção e encontrar meios de lidar habilmente com medos e ansiedades, raiva e tristeza.

Regulação do estresse: Realizar exercícios e métodos de relaxamento, principalmente os que envolvem respiração. Uma mudança emocional sempre é acompanhada de uma mudança no ritmo da respiração.

Empatia: inclui o famoso “se colocar no lugar do outro”, compreender seus sentimentos e preocupações e adotar a perspectiva deles; reconhecer as diferenças no modo como as pessoas se sentem em relação a fatos e comportamentos.

Comunicações eficientes: Saber falar efetivamente de sentimentos sem ira ou raiva, tornando-se um bom ouvinte e perguntador; diferenciar entre o que alguém faz ou diz e suas próprias reações ou julgamento a respeito.

Intuição aguçada: Cultivar e estar sensível e aberto para a “voz interior” que nos põe em comunicação direta com as coisas ao redor.

Aceitar a si mesmo: Alegrar-se consigo mesmo e ver-se numa perspectiva positiva; reconhecer suas forças e fraquezas sendo capaz de rir de si mesmo. Compreende também aceitar nossos sentimentos e emoções, porém ser se tornar acomodado com eles quando necessitam de uma mudança.

Responsabilidade pessoal: Assumir responsabilidades e reconhecer as conseqüências de suas decisões e ações, indo até o fim nos compromissos.

Inteligência social: É a habilidade de reconhecer a importância do bem estar coletivo e trabalhar por ela através da prática de bons relacionamentos, deixando de lado o egoísmo e emoções autocentradas.

Solução de conflitos: Deixar de fugir ou de alimentar os conflitos, jogando limpo com outras pessoas na busca de soluções pacíficas, negociando com elas da melhor forma e abandonando os rótulos “vencer” e “perder”.

E aí, quais são seus pontos fortes e fracos, onde você tem mais dificuldade ou facilidade? E o principal: você sabia que todos estes indicadores, habilidades e competências podem ser trabalhados, você sabia que eles podem melhorar? Sim, é como treinar o equilíbrio em uma corda bamba – existem exercícios, técnicas e treinamento específico para melhorar nosso padrão emocional. Não se esqueça que o ser humano é um ser que, por natureza básica, aprende e reaprende.

Envie um email e me conte como anda seu equilíbrio emocional e suas dificuldades: contribuicao@aluzdodia.com

Votos de luz e equilíbrio,

Gustavo Mokusen

A fala tem poder, a escuta também

A comunicação interpessoal bem feita, transparente e eficiente é uma arte, é uma das poderosas ferramentas da Inteligência Social, capaz de promover a negociação de conflitos, o estabelecimento mútuo de acordos e metas, o entendimento de perspectivas diferentes e o cultivo da convivência pacificada. Palavras têm poder e podem curar, podem ajudar; para isso ocorrer, o exercício da escuta é igualmente necessário.

O primeiro aspecto de uma comunicação interpessoal eficiente é, assim, saber escutar. Hoje em dia existem diversos cursos de oratória, todo mundo quer falar, quer desabafar; com isso, a conseqüência é que a demanda de ter bons ouvidos é essencial para não bloquear a comunicação, que sempre deve ser um canal que transmite em duas direções. É importante saber falar, mas é mais importante saber escutar. Deveríamos freqüentar mais cursos de “escutatória”, se é que isso existe, e se não existe vou até criar um (rsrsrs…). Então a questão fundamental é que, para me comunicar bem, o primeiro passo é entender a língua na qual meu interlocutor fala e o que está sendo falado. É uma linguagem emocional? Formal? O que sua fala traz? Aquilo que está sendo dito está claro pra mim? Se conseguirmos discernir estes pontos, então já é o começo da comunicação.

Escute com atenção. Muitos fingem escutar e soltam aqueles típicos “ahan…” ou “ah, sei…”, mas, enquanto isso, já estão maquinando o que vão dizer para “pegar” o outro na próxima jogada. Não se trata de um jogo, ninguém irá perder ou ganhar sozinho. Ou os dois ganham ou os dois perdem. Não se trata de discutir e defender pontos de vista como se fosse uma guerra, porque quando fazemos isso não estamos comprometidos com a verdade, mas sim estamos comprometidos em ganhar a discussão, e isso não traz nenhum crescimento para ninguém. A discussão é inútil, ninguém ganha.

Continue ouvindo. Evite interromper constantemente seu interlocutor. Deixe que ele esvazie seu conteúdo, às vezes as pessoas estão transbordando e precisam dar vazão a este conteúdo. Você não vai conseguir colocar mais chá numa xícara que está cheia. Se a pessoa fugir do assunto ou apresentar algum ponto contraditório ou obscuro em seu discurso, não ataque, não critique. Isso jamais funcionou. Ao invés, use a técnica da “retificação subjetiva”: faça uma pergunta retificadora do tipo “mas como é isso mesmo?” ou “eu não entendi bem, pode me explicar de novo?” e deixe que ele mesmo reformule o ponto.

Aguce seus ouvidos. Sempre há um momento propício para você começar a falar, geralmente há uma pausa respiratória no diálogo que significa ser um momento em que seu interlocutor está menos tenso. Este é o ponto propício, mas lembre-se de verter sua fala com delicadeza e precisão como se estivesse colocando chá em uma xícara de porcelana delicada. Não exceda o limite da borda, não verta rápido demais, lembre-se sempre que o volume vertido e a velocidade de vazão devem ser respeitados. Muitas vezes poucas palavras causam mais efeito do que uma enxurrada delas.

Seja claro no que disser, e certifique-se de que foi entendido. Esse é um ponto crítico, pois cada um entende de acordo com sua própria linguagem interna: pergunte a um alemão que som faz um cachorro latindo e ele responderá “wolf, wolf”. Isso é sério, o “au, au” é só em português. Mas não tente fazer o outro mudar de opinião ou a aceitar suas convicções; não gaste energia com isso, pois não depende de você. Se for o caso, isso acontece naturalmente, sem violência ou uso de força.

A comunicação tem mais a ver com se colocar no lugar do outro e tentar entender como ele vê o mundo. Apenas quando entendo o outro é que tenho uma chance de colocar o que necessito dizer com igual entendimento e aceitação. E quando o outro se sente entendido, a confiança na comunicação aumenta. Saber falar é saber escutar.

Votos de luz aos ouvidos,

Gustavo Mokusen. 

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