A comparação é inútil e o Zé não é mané

O mecanismo da comparação pode ser muito útil quando estamos verificando os preços em um supermercado, comprando um apartamento ou ainda quando comparamos dados estatísticos em uma pesquisa de resultados. A comparação é uma ferramenta intelectual importante na análise de questões como as que foram citadas, mas pode se tornar perigosa quando usada sob forma de parâmetro de julgamento pessoal.

Quero dizer que o mecanismo comparativo não veste bem quando falamos de seres humanos. A saia fica justa na comparação pessoal. Primeiro porque sempre é relativa, nunca definitiva, e o problema é que temos a tendência de tirar conclusões apressadas e bater o martelo rápido demais. Depois acontece que os parâmetros individuais mudam muito: pensamentos e atitudes são diferentes em diferentes situações, e sendo assim eu costumo dizer que nada é, tudo está. E por último, a comparação pessoal, na maior parte dos casos, só serve para gerar ou o sentimento de inferioridade ou de superioridade, e ambos são uma praga capaz de destruir nossa confiança pessoal ou alimentar a arrogância do ego.

Veja bem: geralmente é a insegurança que alimenta a comparação pessoal. Quando não estamos conectados em harmonia com nosso próprio caminho, cai uma dúvida constante nos processos decisórios, nos momentos em que temos que escolher ou fazer alguma coisa. Você veste aquela roupa, olha no espelho e aí começa o problema. “É, mas na fulana não fica tão bem essa combinação…”, pronto, você já caiu na armadilha. Ou, ainda mais bizarro, a autocomparação: “… meu corpo era bem melhor…”. Claro que era, há 10 anos, mas acontece que agora a parada já é outra e sua mente ficou presa numa imagem lá do passado. Acorda Zé, afinal você não é mané. Tudo bem se você quer se motivar, isso é muito bacana, mas não seja prisioneiro do gesso mental comparativo, porque nessa linha de raciocínio a comparação leva à competição, mas nessa competição ninguém ganha nada pois todos perdem a realidade de vista.

Você pára com seu carro no sinal, “é 1.0 mas é meu”, eu já vi até esse tipo de adesivo por aí, muito engraçado, já antevendo a comparação dos outros ou até mesmo do próprio dono, uma espécie de lembrete. Daí vem do seu lado direito aquele Corcel II verde, ano 1972, caindo aos pedaços, cheio de ferrugem. Você vai às alturas, sente-se um verdadeiro piloto de fórmula 1 e acelera saindo na frente, deixando poeira para trás no pobre coitado do Corcel. Tem gente que até pensa “bem feito, não estudou”, vejam só até onde vai a coisa, seria engraçado se não fosse trágico. Mas então, no próximo sinal vermelho vem aquela Ferrari, e essa é das amarelas, aquele barulho assassino de motor na marcha lenta, só esperando o bote. Você quase não cabe no banco, tentando se encolher pra dentro do carro, tem gente que fica até amarelo de sem graça, refletindo a cor do possante. “Maldito sinal, abre logo” ou “vai ver que é do pai, playboy” pode ser o mínimo, eu já ouvi pior. Ao mesmo tempo, contas na cabeça pra saber em quanto tempo daria pra juntar uma grana e trocar de carro…

A comparação pessoal material é desse jeito, ainda mais traiçoeira. Uma hora esbanjamos alegria, na outra nos sentimos na lama. Veja só quanta distorção, quanta alienação, quanta bipolaridade. Você não é nem melhor e nem pior que ninguém, você apenas é você mesmo, com seus pontos positivos e suas fraquezas como todo mundo. Aliás, provocar essa bipolaridade é estratégia de consumo atual, para você comparar mais, para comprar mais. Essa “coisificação da angústia”, esse “troque seu mal estar por outra aquisição” funciona assim. Mas no fim, não funciona nada, por que nenhuma identificação material vai te mostrar o que existe além da embalagem. Neste mundo do consumo, conteúdo e embalagem são apenas embalagem.

Quando eu praticava meditação no Templo Tenryuji, no Japão, eu ouvi um mestre dando um ensinamento a um monge de nome Kabata:

– “Um pássaro voa como um pássaro. Um peixe nada como um peixe. Kabata San pratica o Zen como Kabata San.”

É isso ai, bicho, a confusão começa quando o pássaro quer trocar asas por nadadeiras. Simplesmente não irá funcionar. Lembrei-me de um amigo: “Você se torna mané sempre que quer ser aquilo que não é“.

Votos de luz

Gustavo Mokusen

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Benvindo ao ano novo de 4710

Sim, é isso mesmo meu chapa, feliz 4710! Hoje, dia 23 de janeiro, inicia-se o ano de 4710 no calendário Chinês, o famoso ano do dragão, que foi comemorado com muita festa lá pelas bandas do oriente neste fim de semana. Chineses, japoneses e outros povos asiáticos estão esperançosos, cheios de planos e metas para o ano novo: de acordo com este calendário, os anos regidos por este animal são sempre cheios de energia transformadora e trazem muitas possibilidades de mudanças, que podem ir desde o sucesso total até as grandes catástrofes coletivas.

Bom, mais ou menos, né? Se você ficar sentado no sofá vendo novela, nada de novo ocorrerá em sua vida. A sabedoria milenar oriental é clara: quando causas e condições se encontram, o carma floresce. Veja bem: causas e condições. Isso significa que nada acontece por acaso neste Universo, nada é casualidade, mas tudo é causalidade. Opa, não leia rápido não: a natureza opera na causalidade, e não na casualidade. As condições podem estar favoráveis, mas se você não agir nas causas, de nada adianta. Vou dar um exemplo: você tem uma semente de manga na mão, fresquinha de boa qualidade. Você também tem um quintal onde tem boa terra, e o clima é bom na sua região. Isso quer dizer que as condições são propícias, são favoráveis, terra boa e clima amigável. Mas se você não colocar a bendita semente na terra, adubar de vez em quando, cortar as ervas daninhas e dar uma força quando a chuva atrasar, então meu amigo, não tem dragão que faça milagre. Você não vai chupar manga se não plantar a semente. Plantar a semente é a causalidade, é a causa motor que vai tocar o barco. A terra boa e o clima são as condições. Causas e condições harmônicas, quando operam juntos, significam bons resultados, carma positivo.

Agora, se escolhemos cruzar os braços e ao invés de cuidar do nosso quintal ficamos fofocando sobre o do vizinho, então é outro tipo de carma que vem: o da estagnação, do prejuízo, do fracasso. É isso o que significa a palavra carma em sua origem na língua páli: kamma, ou ação. Você age, e colhe o resultado, lembrando que deixar de agir é também ação. Omissão e inatividade não serão desculpas quando o dragão aparecer na sua frente bufando fogo.

Então vamos entender bem: a natureza opera em ciclos, e este ciclos possuem ritmos. Aprendemos bem isso com as marés e o ciclo lunar, por exemplo. Ou alguém aqui vai peitar e entrar num rochedo durante a maré alta e brava? É isso ai, se você cortar o bambu na lua errada ele não terá uma vida útil longa, ele vai secar e apodrecer rapidinho. Eu mesmo já cometi esse erro. Então aprendemos um pouco sobre esses ciclos e ritmos da natureza, que afetam diretamente as condições do planeta, e aprendemos que existe uma hora pra tudo. No ano do dragão, que se repete no ciclo de cada 12 anos, é dito que as energias são propícias às mudanças, aos empreendimentos, aos saltos de transformação. É claro que tudo isso sempre pode acontecer em qualquer ano, mas não se esqueça do ritmo entre as marés e o rochedo. Então estão dizendo, como resultado de uma milenar cultura de observação, que o ano do dragão é um momento que reúne boas condições.

Na dúvida, vai lá ao quintal e plante sua semente. Você pode até não acreditar muito em horóscopo de jornalzinho, como eu também não acredito, mas nós temos um ano novo inteirinho pela frente, e dizem que este é dos bons. Não só plante, mas cuide e trabalhe no cultivo. Você nunca saberá quais serão os resultados de suas novas ações, mas se nada fizer nada de novo acontecerá. Planejar, inovar, tentar e perseverar é de suma importância.

Sim, o ano novo é do dragão, mas não espere que ele entre voando pela sua janela. As condições naturais já estão operando neste mesmo instante, então é hora de começar a agir nas causas. Vamos propor ao nosso amigo alado uma sociedade, meio a meio, sacou? Vamos fazer a nossa parte e cuidar do quintal, e do resto cuida a natureza com seus ritmos.

Agora, pra quem insiste em ficar sentado no sofá: depois não adianta ficar bravo e cuspir fogo, hein?

Votos de luz no ano do dragão,

Gustavo Mokusen.  

Como anda seu equilíbrio emocional?

É reconhecido que o bem estar coletivo está intimamente interligado com o equilíbrio emocional individual, posto que uma pessoa emocionalmente equilibrada atua como agente multiplicador de sua qualidade emocional no ambiente em que vive. Gostaria de apresentar alguns dos principais indicadores, habilidades e competências de uma vida emocionalmente equilibrada:

Autoconsciência: é sua capacidade de observar-se e reconhecer os próprios sentimentos, emoções, pensamentos e reações com fidedignidade, sem aumentar ou diminuir; dar-se conta de suas ações e conhecer as conseqüências delas; saber se uma ação está sendo governada por pensamento, emoção ou sentimento.

Flexibilidade emocional: é a habilidade de monitorar a “conversa consigo mesmo” para compreender o que está por trás de uma emoção e encontrar meios de lidar habilmente com medos e ansiedades, raiva e tristeza.

Regulação do estresse: Realizar exercícios e métodos de relaxamento, principalmente os que envolvem respiração. Uma mudança emocional sempre é acompanhada de uma mudança no ritmo da respiração.

Empatia: inclui o famoso “se colocar no lugar do outro”, compreender seus sentimentos e preocupações e adotar a perspectiva deles; reconhecer as diferenças no modo como as pessoas se sentem em relação a fatos e comportamentos.

Comunicações eficientes: Saber falar efetivamente de sentimentos sem ira ou raiva, tornando-se um bom ouvinte e perguntador; diferenciar entre o que alguém faz ou diz e suas próprias reações ou julgamento a respeito.

Intuição aguçada: Cultivar e estar sensível e aberto para a “voz interior” que nos põe em comunicação direta com as coisas ao redor.

Aceitar a si mesmo: Alegrar-se consigo mesmo e ver-se numa perspectiva positiva; reconhecer suas forças e fraquezas sendo capaz de rir de si mesmo. Compreende também aceitar nossos sentimentos e emoções, porém ser se tornar acomodado com eles quando necessitam de uma mudança.

Responsabilidade pessoal: Assumir responsabilidades e reconhecer as conseqüências de suas decisões e ações, indo até o fim nos compromissos.

Inteligência social: É a habilidade de reconhecer a importância do bem estar coletivo e trabalhar por ela através da prática de bons relacionamentos, deixando de lado o egoísmo e emoções autocentradas.

Solução de conflitos: Deixar de fugir ou de alimentar os conflitos, jogando limpo com outras pessoas na busca de soluções pacíficas, negociando com elas da melhor forma e abandonando os rótulos “vencer” e “perder”.

E aí, quais são seus pontos fortes e fracos, onde você tem mais dificuldade ou facilidade? E o principal: você sabia que todos estes indicadores, habilidades e competências podem ser trabalhados, você sabia que eles podem melhorar? Sim, é como treinar o equilíbrio em uma corda bamba – existem exercícios, técnicas e treinamento específico para melhorar nosso padrão emocional. Não se esqueça que o ser humano é um ser que, por natureza básica, aprende e reaprende.

Envie um email e me conte como anda seu equilíbrio emocional e suas dificuldades: contribuicao@aluzdodia.com

Votos de luz e equilíbrio,

Gustavo Mokusen

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