Com a palavra…

Por Márcia Cândido

Eu comunico, tu comunicas. Todos nós nos comunicamos. Mas, por que? Em nome da nossa sobrevivência, precisamos trocar informações. Precisamos nos sentir parte de uma esfera. Tudo isso, porque o ser humano não nasceu para ser só. Nasceu para compartilhar seu conhecimento com os demais. Criar uma rede e crescer. E tal como uma rede de pesca, que garante a sobrevivência de toda uma comunidade, alimentando com seu pescado inúmeras pessoas, a rede de palavras nos transporta para outros ‘universos’. Por meio das palavras, nos entendemos, nos fazemos compreender, transmitimos nossos anseios e alimentamos desejos.

E como fica o silêncio neste contexto?

Só mesmo quem já experimentou a riqueza destes momentos para apreciar a comunicação sem palavras. Sobrevivemos da mesma forma, porque aprendemos a captar da dimensão tempo o que é preciso ser feito. Sem palavras, olhares bastam. Gestos substituem o que não é dito. E, com o tempo (mais uma vez, esta dimensão nos pautando!), nada precisa ser dito, porque entendemos algo muito sutil: não estamos sozinhos no universo. Fazemos parte de um todo. Assim, o que o outro sente, também sentimos. O que o outro precisa, também precisamos. O que o outro quer, também queremos. Somos um com o universo. É o conceito da interdependência. Preciso de mais palavras?

Até nosso próximo encontro!

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Respondendo com graça

Por Shan Zimmerman

Um dos maiores desafios que encontrei desde que me mudei para o Brasil foi a aprendizagem da língua. O fluxo natural de conversação, com o qual eu estava acostumada por toda a minha vida, tornou-se dolorosamente difícil. Conversas simples agora incluiam longas pausas para absorver e entender palavras, misturando numa mesma matriz expressões faciais confusas e quantidades excessivas de “eu não entendo” e “quê?”. Para evitar a vulnerabilidade, comecei a praticar a arte de fingir que sabia o que a outra pessoa estava dizendo, usando aquilo que eu esperava funcionar para me tornar crível – as expressões faciais.

Meu ego estava profundamente ferido quando me mudei para o Brasil por causa da minha luta linguística e, honestamente, muitas vezes ainda está. Eu estava frustrada porque eu não podia me comunicar, nem mesmo por frases simples. Eu tinha acabado de me formar na universidade, mas agora o meu nível de expressão tinha voltado ao nível pré-escolar. E mesmo as crianças da pré-escola olhavam para mim como se eu fosse uma alienígena!

Era comum eu estar conversando com alguém e, por qualquer motivo, eu via a face do meu interlocutor mudar com um olhar de confusão. Essa confusão, por sua vez, provocava minha crítica interna, minhas inseguranças. Antes da conversa acabar eu já estava desanimada e assim criava muitas impossibilidades. Sentia-me estúpida. Eu sentia como se eu nunca fosse alcançar meu objetivo.

No entanto, uma das minhas descobertas mais valiosas desde que me mudei para o Brasil foi a existência do diálogo interno, e também como responder a esse diálogo interno com uma afirmação positiva.

Através da prática diária da meditação, escrita e leitura sobre autoconhecimento, tenho começado a responder ao meu desafio linguístico de uma forma mais construtiva. Se eu estou falando com uma pessoa e sua resposta atiça a minha crítica interna, agora sou capaz de “ver” essa crítica interna com certa distância e responder usando uma afirmação positiva. Por exemplo, eu poderia dizer a mim mesma que este desafio é uma oportunidade para crescer… e eu estou respondendo com iteligência e graça.

As afirmações são simples. Elas são você no controle consciente de seus pensamentos. Elas são curtas, mas declarações poderosas. Quando você as pronuncia, ou as considera em pensamento, ou mesmo as ouve, elas se tornam a energia que cria a sua realidade. Quando eu tomo conhecimento de um pensamento negativo e substituo esse pensamento por uma afirmação positiva, posso sentir meu corpo relaxar automaticamente e, então, sou mais capaz de me concentrar para atender ao meu desafio de linguagem.

Eu me pergunto se no futuro as minhas afirmações positivas serão em Português… : )

Você tem uma experiência semelhante? Como as afirmações positivas poderiam ajudá-lo em sua própria vida? Deixe-nos um comentário ou envie um email: contribuicao@aluzdodia.com

Conhecimento, disciplina e mitigação de riscos

Por Allyson Bastos

“Se você deseja saber o que é realmente risco, procure o espelho mais próximo. O que olha de volta pra você é o risco.” (Jason Zweig)

Engana-se quem imagina que a receita para o sucesso nas finanças seja a realização de negócios espetaculares que garantam lucros astronômicos da noite para o dia, geralmente associados a grandes riscos. Isso pode até acontecer vez ou outra, mas definitivamente não é a regra geral.

O caminho para a construção de um sólido patrimônio, não digo eu, mas sim os grandes entendidos do assunto, é a conjugação de um método de investimento adequado ao seu perfil com a disciplina necessária para manter-se fiel a ele, tanto nos momentos de crise, quanto nos de euforia financeira.

Mudanças de plano são saudáveis e correções na rota muitas vezes são essenciais para garantir que o objetivo será alcançado. É preciso cuidado, entretanto, para que a ganância não nos leve na direção contrária à dos nossos objetivos.

O primeiro investimento a ser feito na busca pela prosperidade é no conhecimento. Há, hoje, farto material gratuito disponível na internet sobre educação financeira. E, de modo geral, todo conhecimento absorvido, seja na área da economia, filosofia, história, psicologia, artes ou quaisquer outras, pode nos proporcionar um valioso instrumental para a tomada de decisões mais inteligentes. Não é preciso se tornar um profissional das finanças, mas há que se atentar para o fato de que, à medida que o seu patrimônio aumenta, mais responsabilidade recai sobre suas decisões de investimento. E uma decisão precipitada poderá acarretar grandes perdas.

A recuperação de uma perda de 50% do patrimônio exige um crescimento de 100% da parcela que restou. Nada fácil, certo? É importante, então, que nos concentremos em errar o mínimo possível, ainda que isso signifique obter retornos moderados. Retornos moderados mas constantes são muito mais poderosos que grandes ganhos com grandes perdas intercaladas.

Portanto, nada de ter pressa em aproveitar essa ou aquela oportunidade de investimento. Devemos optar sempre e serenamente pelas opções que nos pareçam mais adequadas ao nosso perfil, à nossa estratégia e ao nosso grau de conhecimento no momento. Não invista em ações apenas por ser um modismo impulsionado por histórias de garotos-prodígio que multiplicaram rapidamente o capital investido. Tenha certeza que a mídia não se interessa pelas muito mais frequentes histórias de pessoas que inadvertidamente amargaram prejuízos consideráveis com imprudentes especulações em bolsas de valores. Invista sim nesse mercado, se já detém conhecimento suficiente para entender seu funcionamento, e consegue traçar perspectivas realistas de suas possibilidades de retorno e dos riscos envolvidos.

Estude as várias espécies de investimentos e, quando se sentir à vontade, escolha as opções mais adequadas ao seu plano de independência financeira, certo de que não há investimento perfeito.

Esteja certo que o grau de risco de nossas decisões está mais associado ao nosso nível de conhecimento e à nossa disiplina do que às espécies de investimento propriamente ditas.

Devemos nos atentar especialmente para o risco representado pela falta de disciplina e pelo comportamento impulsivo. Tal risco tende a se tornar mais expressivo na medida em que o saldo de recursos financeiros à disposição aumenta. É nesse momento que as pressões por consumo de bens de alto valor começam a ficar mais intensas. Daí vem aquela vontade de trocar o carro, comprar um sítio, aumentar o padrão de vida… A falta de fidelidade para com a estratégia de investimento, ou uma vulnerabilidade latente a essas demandas consumistas podem acarretar uma grande dissipação da energia empregada ao longo dos anos, dificultando, ou mesmo inviabilizando, o alcance dos objetivos inicialmente propostos.

Concluo reforçando que há que se ter sempre em mente que a busca pela independência financeira não deve ter por finalidade multiplicar as necessidades de consumo, mas sim propiciar libertação e bem-estar. E conjugando, nessa caminhada, passos firmes e conscientes, busca constante por conhecimento, disciplina e consumo sustentável, a tão almejada qualidade de vida deixa de fazer parte de um futuro distante, existente apenas em nossos pensamentos, para ser  conquistada e experimentada a cada dia.

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