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Inscrições Abertas para o Treinamento em Atenção Plena no Método Sati

TREINAMENTO EM ATENÇÃO PLENA

MÉTODO SATI

Turma I – 2018

O que é: treinamento cognitivo-comportamental para o desenvolvimento e manutenção da Atenção Plena dentro da realidade cotidiana, seguindo o Método Sati.

Duração: 04 encontros de 3 horas cada, totalizando 12 horas de treinamento.

Datas dos encontros: 12/05; 26/05; 09/06; 23/06 – das 14 às 17 Hs.

A quem se destina: praticantes, interessados e estudiosos no tema da Atenção Plena Mindfulness; professores e alunos de meditação; terapeutas e profissionais da área do desenvolvimento humano como psicólogos, profissionais da área da saúde, psicoterapeutas, gestores de pessoas e demais interessados no autoconhecimento em geral.

Onde: Centro Zen Flor de Lótus – Lagoa Santa/MG

Investimento: R$ 400,00 (dividido em até 2x)

Número de vagas: 22

Como participar do treinamento:

  • Envie um email para contato@centrozenflordelotus.org solicitando a inscrição para participar do treinamento;
  • Aguarde a resposta com as informações para confirmação da inscrição;
  • Realize a confirmação da inscrição.

Os pedidos de inscrições para o treinamento serão feitos exclusivamente pelo email contato@centrozenflordelotus.org e serão respondidos de acordo com a ordem de chegada, com as devidas informações para confirmação da inscrição.

O preenchimento das vagas será pelo critério da ordem de chegada dos pedidos de inscrição e sua posterior confirmação.

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TREINAMENTO EM ATENÇÃO PLENA

TREINAMENTO EM ATENÇÃO PLENA NO MÉTODO SATI
Turma I – 2018

O que é: treinamento cognitivo-comportamental para o desenvolvimento e manutenção da Atenção Plena dentro da realidade cotidiana, seguindo o Método Sati.
Duração: 04 encontros de 3 horas cada, totalizando 12 horas de treinamento.
Datas dos encontros: serão divulgadas até fim de abril (encontros serão em finais de semana maio/junho)
A quem se destina: praticantes, interessados e estudiosos no tema da Atenção Plena Mindfulness; professores e alunos de meditação; terapeutas e profissionais da área do desenvolvimento humano como psicólogos, profissionais da área da saúde, psicoterapeutas, gestores de pessoas e demais interessados no autoconhecimento em geral.
Onde: Centro Zen Flor de Lótus – Lagoa Santa/MG
Investimento: R$ 400,00 (dividido em até 2x)

 

O MÉTODO SATI foi criado para desenvolver o estado de Atenção Plena por meio de uma técnica objetiva, progressiva e alinhada com a realidade do próprio sujeito. O método é fruto de mais de 15 anos de desenvolvimento teórico e prático, e fundamentado em experiências adaptativas realizadas com grupos de praticantes dentro da realidade brasileira.
O MÉTODO SATI apresentou, quando aplicado por três meses em um grupo piloto acompanhado por equipe médica e psicológica, resultados significativos na redução do sofrimento mental do grupo controle: 75% dos participantes tiveram redução nos níveis de sofrimento mental, com diminuição global de 67,6% na pontuação do questionário utilizado (SRQ-20). 78,94% dos servidores tiveram melhora em níveis de concentração ou bem estar geral, e 97,37% foram favoráveis à continuidade da prática do método. (Fonte: Relatório do TRE-MG e TJMMG sobre aplicação do Método Sati em Servidores).

CONTEÚDO DOS MÓDULOS

3.1 – MÓDULO 1: INTRODUÇÃO

Conteúdos teóricos e práticos abordados:

a) Apresentação sobre Mindfulness e Atenção Plena
b) Origens da Atenção Plena e a Meditação
c) Resultados físicos e mentais da prática da Atenção Plena
d) Os quatro fundamentos do estabelecimento da Atenção Plena
e) Técnicas de ancoragem da Atenção Plena
f) Os sete fatores resultantes do desenvolvimento da Atenção Plena

3.2 – MÓDULO 2: RECONHECIMENTO DA REALIDADE

Conteúdos teóricos e práticos abordados:

a) A técnica da aceitação ativa: observação dos fenômenos sem interferência
b) A técnica da observação do campo de fenômenos: meditação Shamata e Vipassana
c) Técnica da notação mental: percepção e sensação
d) Atenção Plena ancorada pela respiração
e) Técnica de meditação Shikantaza
f) Técnica da Atenção Plena dinâmica

3.3 – MÓDULO 3: COMPREENSÃO DAS CAUSAS E EFEITOS

Conteúdos teóricos e práticos abordados:

a) Princípio da realidade condicionada
b) O mecanismo de apego e aversão
c) Técnica da Atenção Plena nos Objetos Mentais
d) Deslocamento temporal: ansiedade e depressão
e) Técnica da Atenção Plena nos estados mentais
f) Originação Dependente

3.4 – MÓDULO 4: AÇÃO CONSCIENTE

Conteúdos teóricos e práticos abordados:

a) Técnica da Atenção plena na fala
b) Técnica da Atenção plena na ação
c) Técnica da Atenção plena no pensamento
d) Treinamento emocional e o Esforço Correto
e) O princípio da Equanimidade na prática da meditação.

PROGRAMAÇÃO DE ABRIL E TEXTO

Satipatthana Vipassana – Insight através da Atenção Plena

Por          Venerável Mahasi Sayadaw

 Organização: Gustavo Mokusen

 O Venerável Mahasi Sayadaw foi um dos mais destacados mestres de meditação da era moderna e um líder no ressurgimento contemporâneo da meditação Vipassana. Ele nasceu em um vilarejo próximo a Shwebo em 1904, na antiga Birmânia, Myanmar na atualidade, tendo sido ordenado como noviço aos doze anos de idade e como bhikkhu aos vinte anos. Ele se destacou rapidamente pela sua erudição do Cânone Budista em Pali e já no quinto ano após a sua ordenação estava ensinando as escrituras em um monastério em Moulmein. Sob sua orientação e dos seus discípulos, milhares de pessoas obtiveram treinamento e muitos outros se beneficiaram com a sua abordagem bem definida da prática de meditação. De acordo com um censo feito em 1972 o número de praticantes treinados em todos os centros de meditação, na Birmânia e no exterior, ultrapassava a marca de 700.000.

Como reconhecimento pelas suas realizações o Ven. Mahasi Sayadaw foi agraciado com a mais elevada distinção acadêmica da Birmânia, o título de Agga Mahapandita, que lhe foi conferido em 1952.

Namo Buddhasa
Homenagem ao Perfeitamente Iluminado

 

Com respeito à mente e a maneira como ela surge, o Buda menciona no Dhammapada, verso 37:

Indo longe, perambulando só,
Sem forma e repousando numa caverna.
Aqueles que contêm a mente
Com certeza se libertarão dos grilhões de Mara.

Indo longe, perambulando: A mente em geral perambula por todo lugar. Enquanto o meditador tenta dar seguimento à prática de meditação na sala de meditação, com frequência ele se dá conta de que a sua mente escapou para muitos outros lugares, cidades, etc. Ele também se dá conta que a mente num instante de imaginação ou pensamento pode errar para qualquer um dos lugares distantes que ele tenha conhecido. Esse fato é descoberto com o auxílio da meditação.

Só: A mente ocorre de forma isolada, momento a momento em sucessão. Aqueles que não percebem essa realidade acreditam que uma única mente exista no curso da vida ou existência. Eles não sabem que novas mentes estão sempre surgindo a cada momento. Eles pensam que ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar e pensar no passado e no presente são parte da mesma mente e que três ou quatro ações de ver, ouvir, tocar, conhecer, em geral ocorrem ao mesmo tempo.

Esses são entendimentos incorretos. Na realidade, momentos isolados da mente surgem e desaparecem continuamente, um após o outro. Isso poderá ser percebido com a prática. Os casos de imaginação e planejamento são percebidos com facilidade. A imaginação desaparece assim que for notada como “imaginação, imaginação,” e o planejamento também desaparece assim que for notado como “planejamento, planejamento.” Essas ocorrências de surgir, notar e desaparecer se assemelham a um cordão de contas. A mente que precede não é a mente que segue. Cada uma é separada da outra. Essas características da realidade podem ser percebidas por qualquer um e para lograr isso é necessário dar continuidade à prática da meditação.

Sem forma: A mente não possui substância, não possui forma. Não é fácil distingui-la como é o caso da materialidade. No caso da materialidade, o corpo, a cabeça, as mãos e as pernas são bastante proeminentes e notados com facilidade. Se for perguntado o que é a matéria, esta poderá ser manuseada e mostrada. A mente, no entanto, não é descrita com facilidade porque não possui substância ou forma. Por essa razão, não é possível submeter a mente a experimentos analíticos em laboratório.

A pessoa pode, no entanto, compreender a mente plenamente se for explicado que é aquilo que conhece um objeto. Para compreender a mente é necessário contemplá-la a cada momento em que ela ocorre. Quando a meditação estiver avançada de forma razoável, o acesso da mente ao seu objeto é compreendido com clareza. Parece que a cada momento mental a mente está realizando um salto direto em direção ao objeto. Portanto, a meditação é prescrita para conhecer a verdadeira natureza da mente.

Repousando numa caverna: Como a mente surge na dependência da base da mente e das outras portas dos meios dos sentidos situadas no corpo, diz-se que ela está repousando numa caverna.

Aqueles que contêm a mente com certeza se libertarão dos grilhões de Mara: É dito que a mente deve ser observada a cada momento em que ela ocorra. A mente pode, portanto, ser conhecida através da meditação. Ao conhecer a mente com êxito, o meditador irá conquistar a libertação dos grilhões de Mara, o Rei da Morte. Com isso, pode ser visto que é importante notar a mente a cada momento em que ela ocorre. Assim que for notado, aquele momento mental desaparece. Por exemplo, ao notar uma ou duas vezes como “intenção, intenção,” observa-se que a intenção desaparece de imediato. Em seguida o exercício tradicional de notar a “expansão, contração, expansão, contração” (do abdome) deve ser retomado.

Durante o exercício usual, a pessoa pode sentir vontade de engolir saliva. Isso deve ser notado como “desejo,” e ao acumular a saliva como “acumulando” e ao engolir como “engolindo,” na ordem sequencial das ocorrências. A razão para a contemplação neste caso é porque pode haver uma ideia pessoal persistente que “querer engolir é o eu” ou “engolir também é o eu.” Na realidade, “desejar engolir” é a mentalidade e não um “eu”, e “engolir” é a materialidade e não um “eu.” Naquele momento apenas existe a mentalidade e a materialidade. Contemplando desta forma a pessoa irá compreender com clareza o processo da realidade.

Ao ficar sentado por um longo tempo, irão surgir no corpo sensações desagradáveis de tensão, calor e assim por diante. Essas sensações devem ser notadas quando ocorrerem. A mente deve ser fixada naquele ponto e a notação de “tenso, tenso” ao sentir tensão, de “quente, quente” ao sentir calor, de “dor, dor” ao sentir dor, de “formigamento, formigamento” ao sentir sensações de formigamento e de “cansaço, cansaço” ao sentir cansaço. Essa sensações desagradáveis são dukkha-vedana e a contemplação dessas sensações é vedananupassana, contemplação das sensações.

Devido à ausência de conhecimento em relação a essas sensações, persiste o entendimento incorreto de tomá-las como sendo a própria identidade ou eu, dizendo, “eu sinto a tensão,” “eu sinto a dor,” “antes eu estava me sentindo bem, mas agora me sinto desconfortável,” como se fosse um único eu. Na realidade, as sensações desagradáveis surgem devido a impressões desagradáveis no corpo. Tal como a luz numa lâmpada elétrica que poderá aparecer enquanto houver contato e suprimento de energia no filamento, o mesmo ocorre com as sensações que surgem a cada ocasião de contato com impressões desagradáveis.

É essencial compreender essas sensações de forma clara. No início ao notar como “tenso, tenso,” “quente, quente,” “dor, dor,” a pessoa poderá sentir que essas sensações desagradáveis se intensificam, e em seguida irá notar que surge na mente o desejo de mudar de postura. Esse desejo deve ser notado como “desejo, desejo.” Então, deve-se retornar à sensação e continuar a notar como “tenso, tenso,” ou “quente, quente” e assim por diante. Se, com grande paciência, a pessoa contemplar dessa forma, as sensações desagradáveis irão desaparecer.

Existe um ditado que diz que a paciência conduz a Nibbana. É evidente que esse ditado se aplica mais ao caso da meditação do que qualquer outra coisa. Muita paciência é necessária no caso da meditação. Se um meditador não for capaz de suportar com paciência as sensações desagradáveis e com frequência mudar de posição durante a meditação, ele não pode esperar atingir alguma concentração. Sem concentração não existe chance de obter o conhecimento do insight (vipassana-ñana) e sem o conhecimento do insight os caminhos supramundanos, os seus frutos e Nibbana não serão realizados.

A paciência é de grande importância na meditação. A paciência é necessária principalmente para transcender as sensações desagradáveis no corpo. Raramente existem perturbações externas que requeiram o exercício da paciência. Isso significa que a contenção pela paciência deve ser observada. A postura não deve ser mudada de imediato ao surgirem sensações desagradáveis, apesar delas a meditação deve continuar com as notações das sensações como “tenso, tenso,” “quente, quente” e assim por diante. Essas sensações dolorosas são algo absolutamente normal e irão passar. No caso de concentração firme, será observado que dores intensas irão desaparecer quando forem notadas com paciência. Com o desaparecimento do sofrimento ou dor, o exercício usual de notar “expansão, contração” deve ser retomado.

Por outro lado, poderá ser observado que dores ou sensações desagradáveis não desaparecem de imediato mesmo quando forem notadas com imensa paciência. Em tal caso, a pessoa não tem outra alternativa senão mudar de posição. A pessoa deve, nesse caso, submeter-se às forças superiores. Quando a concentração não for firme o suficiente, as dores intensas não irão desaparecer com rapidez. Nessas circunstâncias, com frequência surgirá na mente o desejo de mudar de postura e esse desejo deve ser notado como “desejo, desejo.” Depois disso, a pessoa deve notar “levantando, levantando” ao mover-se.

As ações com o corpo devem ser executadas de forma vagarosa e os movimentos lentos devem ser seguidos e notados como “levantando, levantando,” “movendo, movendo,” “tocando, tocando,” na ordem sucessiva do processo. Novamente, ao mover-se a pessoa deve notar “movendo, movendo” e ao abaixar, notar “abaixando, abaixando.” Se, ao completar este processo de mudança de postura não houver nada mais para ser notado, o exercício usual de notar “expansão, contração” deve ser retomado.

Não deve haver interrupção ou intervalo no processo. O ato precedente de notar e aquele que segue devem ser contíguos. Desta maneira ocorre o desenvolvimento gradual, em etapas, da atenção plena, concentração e sabedoria e se houver o seu desenvolvimento completo, o estágio final de conhecimento do caminho supramundano será alcançado.

Enquanto estiver ocupado com o seu exercício habitual, ele poderá outra vez sentir coceira em algum lugar do corpo. Ele deverá, então, fixar a sua atenção no local e fazer a notação de “coçando, coçando.” A coceira é uma sensação desagradável. Assim que ela é sentida, surge na mente o desejo de coçar. Esse desejo deve ser notado como “desejo, desejo,” depois do que, não se deve esfregar ou coçar, mas deve-se retornar ao ponto da coceira e a notação de “coçando, coçando” deve ser feita. E ao contemplar desta forma, na maioria dos casos a coceira desaparece e o exercício usual de notar a “expansão, contração” pode então ser retomado.

Se, por outro lado, for observado que a coceira não desaparece e que é necessário coçar ou esfregar, a contemplação dos estágios sucessivos deve ser feita notando a mente como “desejo, desejo.” Depois deve-se prosseguir notando “levantando, levantando” ao levantar a mão, “tocando, tocando” quando a mão tocar no ponto, “coçando, coçando” ou “esfregando, esfregando” quando a mão coçar ou esfregar, “levantando, levantando” ao levantar a mão, “tocando, tocando” quando a mão toca o corpo e depois a contemplação usual de “expansão, contração” deve ser retomada. Em cada caso de mudança de postura a contemplação dos estágios sucessivos deve ser feita da mesma forma, com cuidado.

Enquanto, assim cuidadosamente, a pessoa prossegue com a meditação, ela poderá observar que sensações dolorosas surgem no corpo por sua própria conta. Normalmente as pessoas mudam a postura assim que sentem a menor sensação desagradável de cansaço ou calor sem tomar nota desses incidentes. A mudança de postura é feita de uma forma bastante negligente ao mesmo tempo em que a dor começa a se intensificar. Assim, as sensações dolorosas não ocorrem de maneira clara. Por essa razão se diz que, como regra, as posturas escondem as sensações dolorosas. As pessoas em geral pensam que se sentem bem por dias e noites sem fim. Elas creem que as sensações dolorosas apenas ocorrem no momento de um ataque de uma grave enfermidade.

A realidade é exatamente o oposto do que as pessoas pensam. Que alguém tente ver quanto tempo consegue ficar sentado numa única posição sem se mexer. Ela irá sentir desconforto depois de pouco tempo, digamos cinco ou dez minutos, para em seguida tornar-se insuportável depois de quinze ou vinte minutos. A pessoa então se sentirá forçada a mudar de posição quer seja mexendo a cabeça, movendo as mãos ou os pés, ou movendo o corpo para frente ou para trás. Em geral, muitos movimentos ocorrem durante um breve intervalo e o seu número seria enorme se fossem contados ao longo de um único dia. No entanto, ninguém parece ter consciência desse fato porque ninguém presta atenção.

Isso é o que ocorre na maioria dos casos. Já no caso de um meditador que está sempre plenamente atento às suas ações e que pratica meditação, as impressões corporais com a sua respectiva natureza são notadas de forma clara. Não há como as sensações não se revelarem completamente na sua própria natureza, porque ele permanece com plena consciência até que elas sejam vistas na íntegra.