Prática e Iluminação não são duas coisas distintas

Prática e Iluminação não são duas coisas distintas

Mestre Ryotan Tokuda

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“No Bendowa, capítulo do Shobogenzo, Mestre Dogen escreve que fazer uma distinção entre a prática e a realização (o despertar, a iluminação) não é o verdadeiro budismo. No verdadeiro budismo prática e realização não são mais que uma só e a mesma coisa.

Quando nos sentamos em zazen estamos sentados na pureza e na transparência. Nesse momento o despertar está completo e somos, nesse instante, o próprio despertar.  É inútil procurar qualquer coisa diferente, seja um estado particular ou algo fora de nós mesmos.

Alguns começam a praticar com um propósito, mas não encontram a paz em sua prática. Não sabem que o desejo que os move é a fonte de seu desconforto. Não fazem mais do que preencher um barril sem fundo. Mestre Dogen diz que é muito raro encontrar alguém que está no caminho. A maioria das pessoas diz que não consegue alcançá-lo ou encontrá-lo. Eles se parecem com peixes nadando no oceano e que exigem água aos gritos.

No Bendowa Mestre Dogen escreveu que a prática e o despertar não tem começo nem fim. Mesmo quando falamos de pratica e despertar eles não são mais que uma e a mesma coisa.  É por isso que todos os Budas e todos os patriarcas não pararam de praticar. O Buda Shakyamuni praticou em um bosque por seis anos e Bodhidharma em uma gruta por nove anos. Mas eles não praticavam com o objetivo de obter a iluminação. Muitos se sentem decepcionados quando lhes é dito que a pratica e o despertar nunca têm fim. Quando não se compreende esse ponto essencial é difícil praticar o zen por muito tempo.

Nós nos perguntamos: “Por que apenas sentar-se?” Para quê? Mas sentar-se assim não tem causa. Sentar corretamente quer dizer simplesmente sentar. Enquanto ainda tivermos a necessidade de uma causa ou de um fim não iremos encontrar a paz no zazen. Procuramos algo mais, algo que poderia ser encontrado “atrás” do zazen e, de repente, perdemos o Uno. Somente quando não temos necessidade é que encontramos a paz.

Não se deve acreditar que dois se juntam na união e, por isso, se convertem em um. O Um é um e nunca foi dividido. Esta é a experiência do zazen. Esta prática nos dá a postura de um Buda, uma respiração de um Buda e mente de um Buda.

 

 

 

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