A RAIZ DA MENTE

Nessa quinta, teremos o GEB – Grupo de Estudos Budistas.

geb2

A RAIZ DA MENTE

  Kyabje Dudjom Rinpoche

(extratos do livro “Conselhos do meu coração”)

“Não investigue a raiz das coisas, investigue a raiz da Mente! Quando a raiz da mente for encontrada, conhecerás uma coisa apenas, ainda assim todas as outras serão liberadas. Mas se falhares em encontrar a raiz da Mente, conhecerás tudo mas não compreenderás nada.

Quando começares a meditar sobre a mente, senta com o corpo reto, permitindo que a respiração venha e vá naturalmente, e com os olhos nem fechados nem muito abertos, olha no espaço a sua frente. Pensa contigo que é pelo bem de todos os seres que observarás o Estado Desperto, repousando num estado meditativo equilibrado.

Uma vez tendo assim repousado, porém, não permanecerás por muito tempo neste estado desperto vazio e claro. Tua mente começará a movimentar-se e tornar-se-á agitada. Ela vai pular e correr para cá, para lá e por todos os lados, como um macaco. O que estarás experimentando neste momento não é a natureza da mente, mas apenas pensamentos. Se ficares com eles e seguí-los, descobrir-te-ás lembrando todo tipo de coisas, pensando sobre todo tipo de necessidades, planejando todo tipo de atividades. É precisamente este tipo de atividade mental que no passado sugou-te para o negro oceano do samsara (sofrimento). E não há dúvida que fará o mesmo no futuro. Seria melhor que pudesses cortar completamente esta interminável ilusão de teus pensamentos!

Agora, suponhamos que tenhas sido capaz de ir além da tua cadeia de pensamentos, como é o estado desperto? É vazio, límpido, belíssimo, leve, livre, alegre! Não é algo amarrado ou demarcado pelos próprios atributos. Não há nada em todo o samsara ou nirvana que ele não abarque. Dos tempos sem princípio, nos é inato; nunca estivemos sem ele, ainda assim está completamente além dos limites de ação, esforço e imaginação.

Mas como é, perguntas, reconhecer o estado desperto? Bem, apesar de poderes experimentá-la, simplesmente não conseguirias descrevê-la. Seria como um mudo tentando descrever seus sonhos! É impossível distinguir entre ti mesmo repousando no estado desperto e o estado desperto que estás experimentando. Quando repousas bem naturalmente, desnudo, no ilimitado estado desperto, todos estes pensamentos rápidos, persistentes, que não ficam quietos sequer por um instante – todas estas memórias, todos estes planos que causam tantos problemas – perdem seu poder. Desaparecem no amplo céu sem nuvens do estado desperto. Despedaçam-se, destroem-se, desaparecem. Toda a força que têm é perdida no estado desperto.

Tens de fato este estado desperto em ti. É a sabedoria límpida, desnuda, do dharmakaya. Então, com a compreensão de que todas as aparências tanto do samsara quanto do nirvana são apenas a manifestação do teu próprio estado desperto, permaneça apenas no estado desperto. Assim como as ondas que sobem do mar e então retornam a ele, todos os pensamentos retornam para o estado desperto. Esteja certo de sua dissolução, e como resultado encontrar-te-ás num estado profundamente destituído tanto de meditador quanto de algo a ser meditado – completamente além da mente que medita.

“Ah, nesse caso,” poderias pensar, “não há necessidade de meditar.” Bem, posso assegurar-te que de fato há uma necessidade! O mero reconhecimento do estado desperto não o libertará. Por vidas desde os tempos sem princípio tens estado envolvido em crenças falsas e hábitos deludidos. Desde então até agora passou cada instante da tua vida como o escravo miserável e patético de teus pensamentos! E quando morreres, não é nem um pouco certo para onde irás. Seguirás teu carma, e terás que sofrer. Esta é a razão pela qual tens que meditar, continuamente preservando o estado desperto a que fostes apresentado. O onisciente Longchenpa disse: “Podes reconhecer tua própria natureza, mas se não meditares e acostumar-te a ela, serás como um bebê abandonado no campo de batalha: serás carregado pelo inimigo, teus próprios pensamentos!” Em termos gerais, meditar significa familiarizar-se com o estado de repousar na natureza ilimitada primordial, através de estar espontaneamente, naturalmente, incessantemente presente. Significa acostumar-se a deixar o estado desperto completamente só, despido de toda a distração e apego.

Agora, como nos acostumamos a permanecer na natureza da mente? Quando os pensamentos vierem enquanto estiveres meditando, deixe-os vir; não há necessidade de considerá-los teus inimigos. Quando surgirem, relaxe no seu surgimento. Por outro lado, se não surgirem, não fique nervosamente divagando se surgirão. Apenas repouse em sua ausência. Se, durante a meditação, grandes e bem-definidos pensamentos repentinamente surgirem, é fácil reconhecê-los. Mas quando suaves movimentos sutis ocorrem, é difícil perceber que estão ali até que seja tarde demais. Isto é o que chamamos de correntes sutis de divagação mental. Este é o ladrão da meditação, portanto é importante manter uma vigilância cuidadosa. Se consegues permanecer constantemente presente, tanto na meditação quanto depois, quando estás comendo, dormindo, caminhando ou sentado, então é isto; conseguistes!”
sed
“Centenas de coisas podem ser explicadas, milhares descritas. Mas uma coisa apenas deverias reconhecer. Conhece esta única coisa e tudo é liberado – Permanece na tua natureza intrínseca. Estejas presente!”   Mestre Rinpoche

NOVA LOGO OFICIAL

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s