Retiro Zen, impermanência e desapego

Realizaremos nosso RETIRO ZEN DE PRIMAVERA no final de semana dos dias 26 e 27 de novembro, que será o último retiro do Centro Zen Flor de Lótus em 2016. O retiro ocorrerá na unidade Brahma Kumaris da Serra do Cipó, que se localiza a 65 Km de Belo Horizonte, um local propício ao mergulho no silêncio, paz e equilíbrio.

Prática

O que é um Retiro Zen? A palavra em japonês usada para denominar um retiro zen budista é “Sesshin”, que significa “concentrar a mente“. Em um sesshin, as atividades são programadas especialmente para criar uma oportunidade de desenvolvimento da atenção plena no presente, instante após instante. Com essa presença de corpo e mente ancorada no aqui e agora, experimentamos uma harmonização interna com nossos níveis profundos de consciência, uma harmonia que por sua vez é também externada ao grupo de praticantes no qual estamos inseridos; então, a partir dessa experiência vivencial podemos compreender e realizar a pacificação de pensamentos, palavras e ações.

Em um retiro temos a oportunidade de aprofundar nossa experiência no caminho do autoconhecimento e realizar nossa natureza iluminada. Interessados em participar devem entrar em contato:   contato@centrozenflordelotus.org       (vagas limitadas).

No último fim de semana foi realizada uma atividade vivencial em Sete Lagoas com o tema “Impermanência e desapego”. Abaixo o texto que foi trabalhado, e em breve trechos do video da vivência.

Gustavo Mokusen.

NOVA LOGO OFICIAL

IMPERMANÊNCIA E DESAPEGO

Compilação de trechos do Majjhima Nikaya

Tradução e organização: Gustavo Mokusen

  1. “Esses, Bhikkhus, são os cinco agregados influenciados pelo apego: o agregado da forma material, da sensação, da percepção, das formações volitivas e da consciência.”
  2. “Venerável senhor, como que surge a ideia da identidade?”

– “Nesse caso, bhikkhu, uma pessoa comum sem instrução, que não é proficiente nem treinada no Dhamma, considera a forma material como sendo o eu, ou o eu como possuído de forma material, ou a forma material como estando no eu, ou o eu como estando na forma material. Ela considera a sensação como sendo o eu … percepção como sendo o eu … formações volitivas como sendo o eu … consciência como sendo o eu, ou o eu como possuído de consciência, ou a consciência como estando no eu, ou o eu como estando na consciência. Assim é como surge a ideia da identidade.”

  1. “E como não surge a ideia de identidade?” (…) “Tudo que ali existe de forma material, sensação, percepção, formações volitivas e consciência, ele vê esses estados como impermanentes, como sofrimento, (…) uma aflição, como lhe sendo estranho, desintegrando, vazio, como não-eu[1]. Ele afasta a sua mente desses estados e a dirige para o elemento imortal, desta forma: ‘Isto é a paz, isto é o sublime, isto é, o acalmar de todas as formações, o abandono de todas os apegos, a destruição da ânsia, desencanto, cessação, Nirvana.’[2] Firmando-se sobre isso, ele realiza a destruição das impurezas.”
  2. “A sensação prazerosa é impermanente, condicionada, com originação dependente, sujeita à destruição, desaparecimento, decadência e cessação. A sensação dolorosa também é impermanente, condicionada, com originação dependente, sujeita à destruição, desaparecimento, decadência e cessação. A sensação nem dolorosa, nem prazerosa também é impermanente, condicionada, com originação dependente, sujeita à destruição, desaparecimento, decadência e cessação.”
  3. “Bhikkhus, na dependência do olho e das formas, a consciência-olho surge; o encontro dos três é o contato do olho; com o contato como condição surge uma sensação visual sentida como prazerosa ou dolorosa ou nem prazerosa, nem dolorosa. …(aplica-se também ao ouvido, ao nariz, à língua, à pele, à mente e seus respectivos objetos de percepção)… Quando alguém é tocado por uma sensação prazerosa, se ele não se deleita com ela, se não a nutre e não permanece agarrado a ela, então a tendência subjacente ao apego não está nele. Quando alguém é tocado por uma sensação dolorosa, se ele não fica triste, angustiado e lamenta, não chora, bate no peito e não fica perturbado, então a tendência subjacente à aversão não está nele. Quando alguém é tocado por uma sensação nem prazerosa, nem dolorosa, se ele compreende como na verdade é a origem, a cessação, a gratificação, o perigo e a escapatória em relação àquela sensação, então a tendência subjacente à ignorância não está nele. Bhikkhus, que alguém possa aqui e agora dar um fim ao sofrimento através do abandono da tendência subjacente do apego em relação às sensações prazerosas, abolindo a tendência subjacente da aversão em relação às sensações dolorosas, extirpando a tendência subjacente da ignorância em relação às sensações nem prazerosas, nem dolorosas; abandonando a ignorância e fazendo surgir o verdadeiro conhecimento – isso é possível.”
  4. “Vendo dessa forma, um nobre discípulo bem instruído se desencanta com a sensação prazerosa, se desencanta com a sensação dolorosa, se desencanta com a sensação nem-dolorosa-e-nem-prazerosa. Desencantado, ele se torna desapegado. Através do desapego a sua mente é libertada. Quando ela está libertada surge o conhecimento: ‘Está libertada.’ Ele compreende que: ‘O nascimento foi destruído, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado’.”

[1] Este trecho mostra o desenvolvimento de insight (vipassana), sobre a base da serenidade, (samatha), usando o próprio estado mental interior – no qual a prática de insight está baseada –  como o objeto da contemplação. Aqui dois termos – impermanente e desintegrando – mostram a característica da impermanência; três termos – estranho, vazios e não-eu – mostram a característica de não-eu; os restantes termos mostram a característica do sofrimento.

[2] Ele “afasta a sua mente” do apego aos cinco agregados, que ele viu estarem estampados com as três características. O “elemento imortal,” (amata dhatu), é Nirvana. Primeiro “ele dirige a sua mente para Nirvana” com a consciência do insight, tendo ouvido a sua descrição como “a paz e o sublime,” etc. Então, com o caminho supramundano, “ele dirige a sua mente para Nirvana” fazendo disso um objeto e penetrando-o com a paz e o sublime, etc.

 

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