Sandokai

“Sandokai” é o nome de um poema escrito pelo Mestre Zen chinês Sekito Kisen Daiosho (700 – 790 d.C.) e que retrata a realização da natureza unificada do Universo. A forma mais usada para se traduzir o título do poema (“Sandokai”) tem sido “A identidade do Relativo e do Absoluto”, expressando assim a correlação e o equilíbrio íntimo entre as esferas relativa e absoluta da realidade. Há, porém, outras traduções para o título, como por exemplo “Harmonia da diferença e da semelhança”, mas todas as traduções apontam para a equanimidade entre os fenômenos que se manifestam como sendo aparentemente opostos em nosso mundo.

sekitoSekito Kisen foi aceito como um estudante por Hui-Neng (o famoso sexto patriarca do Zen na China) em 713. Depois que Hui-Neng morreu, sabemos muito pouco sobre o que aconteceu, mas Sekito Kisen foi ordenado em Lofu-Shan em 728 e foi estudar com Qingyuan em Zhihzhou, durante doze anos. Então, em 742, foi para Nanyue onde construiu um eremitério para si no topo de uma grande pedra plana. Assim, as pessoas o chamaram “Shitou Hoshang” ou “monge da beira-do-precipício” ou, mais jocosamente, “Cabeça-de-Pedra”.

Sekito Kisen Daiosho foi o 8° Patriarca na China, e o 35º na linha geral da Transmissão do Budismo desde o Buddha Shakyamuni até os dias atuais.

 

Sandokai – A Identidade do Relativo e Absoluto

A mente do Grande Sabio da Índia
estava intimamente ligada de Leste a Oeste.
Entre seres humanos há sábios e tolos,
Mas no Caminho não há Fundador do Sul ou do Norte.
A fonte sutil é clara e brilhante.
As correntes tributárias fluem através da escuridão.
Apegar-se às coisas é ilusão,
Encontrar o absoluto ainda não é iluminação.
Um e todos, as esferas subjetiva e objetivas são relacionadas
E ao mesmo tempo independentes.

Relacionadas e ainda assim funcionam diferentemente.
embora cada um mantenha seu lugar.
Forma faz com que o caráter e a aparência difiram.
Os sons distinguem conforto e desconforto.
O escuro faz de todas palavras, uma;
A claridade distingue frases boas e más.
Os quatro elementos voltam à sua natureza,
Assim como uma criança para a sua mãe.
Fogo é quente, vento é movimento,
Agua é úmida e terra é dura.
Olhos vêem, ouvidos escutam, narinas cheiram,
língua sente o salgado e o azedo.
Cada um independe do outro.
Causa e efeito devem retornar à grande realidade,
As palavras alto e baixo são usadas relativamente.
Dentro da luz há escuridão,
mas não tente compreender essa escuridão;
Dentro da escuridão há luz,
mas não procure por essa luz.
Luz e escuridão são um par,
Como o pé na frente e o pé detrás ao andar.
Cada coisa tem seu valor intrínseco
e está relacionada a tudo o mais em função e posição.
Vida comum se encaixa no absoluto como uma caixa à sua tampa.
O absoluto trabalha com o relativo,
Como duas flechas se encontrando em pleno ar.
Lendo estas palavras apreenda a grande realidade.
Não julgue por nenhum valor.
Se você não vê o Caminho,
não o vê mesmo ao andar nele.
Quando você caminha,
não é perto nem longe.
Se estiver deludido, estará há rios e montanhas de distância.

Respeitavelmente digo àqueles que querem ser iluminados:
“Noite e dia, não percam tempo.”

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