As quatro nobres verdades – GEB

No último sábado, dia 25/04, ocorreu a primeira reunião do GEB – Grupo de Estudos Budistas do Centro Zen Flor de Lótus. O GEB se reune uma vez por mês, com o intuito de aprofundar os estudos e avançar na prática dos ensinamentos do Zen Budismo, sendo que o tema dos nossos estudos da primeira reunião foram as “Quatro Nobres Verdades”.

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Os estudos do GEB não se limitam a uma abordagem puramente intelectual sobre o Budismo; eles buscam harmonizar uma prática consistente com os conceitos budistas mais importantes, utilizando sempre a vivência experiencial como suporte para isso. A meditação sentada, a etiqueta Zen, o cerimonial e as práticas corretas estão sempre em foco.

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Abaixo transcrevo o texto estudado em nosso encontro. A participação no GEB é aberta a todos os interessados, sendo necessário inscrição prévia assim que a programação do mês de Maio for divulgada.

Gustavo Mokusen.

logo dourada

AS QUATRO NOBRES VERDADES

Depois de alcançar a Suprema Iluminação, o Buddha começou a ensinar e assim a Roda do Dharma começou a girar. A Roda do Dharma gira em sentido oposto à roda do sofrimento da vida, e por isso pode-se dizer que o Dharma é composto por ensinamentos não comuns, que vão à direção oposta à do pensamento mundano.

Em uma de suas primeiras exposições públicas, dada no parque dos cervos (perto de Benares) aos cinco ascetas que o haviam abandonado quando o julgaram trair a busca pela libertação espiritual, as quatro nobres verdades são enunciadas pelo Iluminado. Essas verdades foram descobertas pelo próprio Buddha enquanto buscava o fim para o sofrimento humano, e são constatações experienciais oriundas da prática, e não da especulação metafísica. Partindo da experiência viva, elas se tornaram o suporte de toda a doutrina budista.

Assim, o Dharma possui fundamento nessas quatro revelações:

1) A verdade sobre a existência do sofrimento; é o reconhecimento de que o sofrimento está presente na vida humana. Um termo amplo em sânscrito, “dukkha”, é utilizado para expressar o conjunto das insatisfações que podemos experimentar nessa existência terrena.

2) A verdade sobre a causa do sofrimento; é o entendimento profundo de que tudo existe baseado numa relação de causa e efeito. Assim, o sofrimento que existe em nossas vidas nasce a partir de um caminho (ações, palavras e pensamentos) errôneo que foi tomado. Normalmente esse caminho indigno está associado aos desejos autocentrados.

O desejo sensorial (ligado às sensações físicas dos sentidos – sensação) não satisfeito gera a insatisfatoriedade, e seu respectivo sofrimento. O desejo de possuir (apego geralmente ligado a uma sensação dos sentidos), quando experimenta a impermanência, também gera sofrimento. E finalmente o desejo de vir-a-ser (de confirmar a existência isolada no mundo como um “eu” apartado do restante), quando experimenta a impessoalidade, produz sofrimento.

3) A verdade sobre a possibilidade da extinção do sofrimento; é possível alcançar o bem estar eliminando as causas do sofrimento; se o fizermos, assim como uma árvore sem raiz secará e morrerá, assim também teremos colocado um fim ao ciclo do sofrimento em questão. Então, esse é o ponto onde entendemos e aceitamos a possibilidade da presença da paz em nossas vidas correntes.

4) A verdade sobre a existência do Caminho do Meio, composto por oito aspectos interdependentes, que leva à realização da extinção do sofrimento; é o conjunto de práticas efetivas que nos levam a abandonar o caminho que gera o sofrimento e cultivar a realização de uma correta existência. É composto por oito aspectos práticos que se inter-relacionam de forma a compor uma teia consistente, necessária para o pleno despertar e costurada por um fator indispensável: a atenção plena.

Os Três Treinamentos Superiores – O Nobre Caminho Óctuplo

 I. Sabedoria

  1. Visão Correta (Perfeita)
  2. Compreensão Correta (Perfeita)

 II. Ética (Preceitos de convivência harmoniosa) 

3. Fala Correta (Perfeita)

4. Ação Correta (Perfeita)

5.Meio de Vida Correto (Perfeito)

 

III. Meditação (Zazen)

  1. Esforço Correto (Perfeito)
  2. Atenção Correta (Perfeita)
  3. Meditação Correta (Perfeita)

Frequentemente, pessoas pouco familiarizadas com a cosmovisão budista associam as Quatro Nobres Verdades com uma perspectiva pessimista da vida, por abordá-la apenas sob a perspectiva reducionista do sofrimento e insatisfação. Entretanto, uma análise criteriosa revela que, de fato, a prática budista adota uma concepção extremamente positiva, pois apesar de reconhecer a insatisfatoriedade associada à experiência sensorial (primeira verdade), defende que a causa dessa insatisfação pode ser conhecida (segunda verdade), eliminada (terceira verdade) e propõe uma maneira de se alcançar esse objetivo (quarta verdade). Essencialmente, essa prática coloca a ética não como oriunda de uma força social, lei ou ser supremo, mas sim como uma ferramenta interna útil para desobstruir a mente de seus hábitos insalubres, que são obstáculos à realização de um estado mais equilibrado e livre. Assim, o sofrimento é entendido como o ponto de partida para a própria Iluminação.

  • Os Sete Braços da Iluminação:

Lembrança

Sabedoria

Esforço

Alegria

Diligência

Samadhi

Equanimidade

  1. Lembrança: Não esquecer os objetos de atenção. “Com a lembrança, conquistamos terras não-conquistadas”.
  2. Sabedoria: Discernimento integral dos dharmas. “Por meio da sabedoria, todos os sinais de conceituação são destruídos”.
  3. Esforço: Deleite na virtude. “O esforço nos leva velozmente ao conhecimento supranormal”.
  4. Alegria: Satisfação mental na virtude. “A alegria nos permite constante desenvolvimento”.
  5. Diligência extrema: Aptidão de corpo e mente. “É através da diligência – falta de preguiça – que nos desviamos das aflições mentais ou quaisquer outros estados nocivos do corpo, fala ou mente”.
  6. Samadhi: “Estado em que nenhuma aflição mental surge”. É a compreensão do conhecimento.
  7. Equanimidade: Relaxamento mental, distante da excitação e do obscurecimento. “É a integração de todas as forças, mantendo sempre um estado isento de aflição mental, nos deixando livres em quaisquer lugar que desejarmos”.
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