Meditando com Krishnamurti

“O homem, a fim de escapar de seus conflitos, inventou muitas formas de meditação. Estas, baseadas no desejo, na vontade e no ímpeto para alcançar, implicam em conflito e numa luta para conseguir. Esse esforço consciente e deliberado está dentro dos limites de uma mente condicionada e nele não há liberdade. Todo esforço para meditar é a negação da meditação.

Meditação é o fim da escravidão no pensamento. Só então há uma dimensão diferente que está além do tempo.

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Se você assume uma atitude deliberada, uma postura a fim de meditar, então isso se torna um jogo, uma brincadeira da mente. Se você decide desembaraçar-se da confusão e infelicidade da vida, então isso se torna um exercício de imaginação… e isso não é meditação. A mente, consciente ou inconsciente, não pode tomar parte nisso; não deve nem mesmo estar consciente da extensão e beleza da meditação – e, se estiver, melhor seria sair e comprar um romance para ler.

Na plena atenção da meditação não há conhecimento, reconhecimento e nem lembrança de algo acontecido.

No momento de luz, o pensamento fenece. O esforço consciente para experienciar e recordar torna-se a palavra do que já se foi. E a palavra nunca é a coisa real. Nesse momento, que não é do tempo, o que resta é o imediato; mas o que resta não possui símbolo, não pertence a ninguém, a nenhum deus.

Meditação é descobrir se não existe um campo ainda não contaminado pelo conhecido.

No espaço que o pensamento cria à sua volta não existe amor. Esse espaço divide o homem do homem e nele reside todo o vir-a-ser, a batalha da vida, a agonia e o medo. A meditação é o fim desse espaço, o fim do “eu”. Então, a relação tem um significado bem diferente, pois, nesse novo espaço, que não é feito de pensamento, o outro não existe, porque você não existe.

Meditação, então, não é a procura de alguma visão, ainda que santificada pela tradição. Ao invés disso, é um espaço sem fim onde o pensamento não pode entrar. Para nós, o pequeno espaço feito pelo pensamento em torno de si, que é o “eu”, é extremamente importante, pois isso é tudo o que a mente conhece, identificando-se com tudo nesse espaço. E o medo de não ser nasce nesse espaço. Mas em meditação, quando isso for compreendido, a mente poderá entrar numa dimensão do espaço em que ação é inação.

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Não sabemos o que é o amor, pois no espaço criado pelo pensamento ao seu redor, chamado “eu”, o amor torna-se conflito entre o “eu” e o “não-eu”. Esse conflito, essa tortura, não é o amor.

O pensamento é a negação do amor e não pode entrar naquele espaço onde o “eu” não existe. Naquele espaço está a bênção que o homem procura e não pode encontrar. Ele a procura dentro das fronteiras do pensamento e o pensamento destrói-lhe o êxtase dessa bênção.

Se você se lança à meditação, não haverá meditação. Se você se dispõe a ser bom, a bondade jamais florescerá. Se você cultivar a humildade, ela deixará de existir. Meditação é a brisa que entra quando a janela está aberta; mas se você a mantiver aberta, convidando-a deliberadamente a entrar, ela jamais aparecerá.”

J. Krishnamurti.

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