Reflexões fora do senso comum

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Desapego não é apenas não ter. Muitas vezes somos apegados àquilo que não temos, como um carro novo ou uma posição que almejamos.

O princípio do desejo é a identificação do eu com o não eu, ou seja, com aquilo que não nos pertence, com aquilo que não está no raio do poder e da potência que supomos possuir e com o qual nos identificamos; pois é comum e natural desejar mais aquilo que não possuímos ou podemos do que aquilo que já consideramos como nosso.

O grau de entropia (desordem) de todos os sistemas aumenta com o tempo. Você irá envelhecer, seu barco irá enferrujar, a maçã irá apodrecer. Tudo o que podemos fazer é tomar consciência disso e aproveitar da melhor forma possível nosso tempo.

Casualidade ou causalidade? Caos ou organização implícita? Acredito que a natureza opere numa forma mista de ambos modelos. Jogar ou não uma pedra ribanceira abaixo é uma decisão, e a trajetória na qual a pedra irá rolar morro abaixo assume infinitas possibilidades imprevisíveis; mas a pedra simplesmente irá rolar, ela não pode escapar da atração gravitacional à qual é submetida.

Se um problema tem solução, pra quê se preocupar? Se não tem solução, pra quê se preocupar?

O ciúme é o segundo erro ingênuo que se comete numa relação; o primeiro é achar que possuímos alguém.

Não se relacione com uma pessoa na esperança que ela lhe dê aquilo que você não tem; o real relacionamento ocorre quando compartilhamos a vida sem expectativas demasiadamente grandes.

Não é absolutamente necessário fazer meditação para realizar ações iluminadas; mas se você nada fizer para amadurecer sua existência, então qual o sentido de possuir uma consciência imaterial?

A modéstia não é bem uma virtude amadurecida, mas atribuir demasiada importância a si mesmo é prova irrefutável de uma mente que ainda sequer saiu da adolescência.

Confesso: reflexões são aquelas novas coisas velhas que repensamos quando temos algum tempo disponível à nossa frente, mas nem tanta criatividade assim para extrair dele algo inédito. É nosso hábito de revisitar constantemente o museu mental de ideias enceradas com o zelo da nossa experiência passada. Mas a força que possuem não se deve nem ao conteúdo que apresentam e nem também por serem supostamente verdades irrefutáveis, mas sim à beleza sintética e estética de alinharem dois ou três princípios gerais dando a eles sentido e direção claramente consistentes.

Gustavo Mokusen.

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2 opiniões sobre “Reflexões fora do senso comum”

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