Agora, não depois

dormir

A iluminação não é aonde você chega, mas como você vai. É fincar os pés na realidade presente, passo a passo, coluna reta, consciência desperta que tudo vivencia, mas que não obstrui e nem se apega àquilo que se lhe apresenta.

Há aqueles que afirmam que a iluminação não existe, e há outros que descrevem ser ela um estado especial além do qual nos encontramos. Mas não prestar a atenção em nada disso e realizar atentamente o próprio caminho é verdadeiramente conhecer o interior de uma gota de água em pleno deserto.

Realizar o próprio caminho não significa se fechar egoisticamente na concha dos desejos individualistas apenas, mas ao contrário, harmonizar-se com o meio, com a existência, com os outros, com a natureza, com o clima, consigo mesmo, com tudo o que compõe a matriz existencial que se nos apresenta nessa vida. O Caminho do Meio budista não é nada mais do que manter esse equilíbrio instante após instante no meio em que estamos inseridos.

É como andar de bicicleta, mantendo o equilíbrio a cada pedalada, aproveitando o passeio e não se preocupando com o que ficou para trás ou com o que ainda não chegou. Apenas dessa forma, concentrado, atento, equilibrado, é que podemos transitar pela enorme ciclovia da vida sem provocar desastres graves ou acidentes irreparáveis.

Mas ainda assim existem os desequilíbrios e as quedas. E não há nada de errado com eles, e se acontecem ainda assim podemos manter a mente equilibrada em plena queda ao chão. Simplesmente tomar consciência do desequilíbrio, da queda, já é manter a mente harmonizada com o que se apresenta. Já é o primeiro passo para se levantar e seguir em frente. Lembre-se: a mente clarificada não obstrui e nem se apega a nada daquilo que se apresenta e, no entanto, vivencia profundamente tudo isso.

Oryoki Aikiba Roshi[1]

Para manifestar essa mente harmonizada e perfeitamente balanceada, é de suma importância a prática da meditação da plena atenção. Mas também é possível desfrutar da iluminação descascando uma laranja, trabalhando no jardim ou simplesmente andando pela rua. Sem apegos ou obstrução. Simplesmente solte as intenções de pegar ou capturar alguma coisa e entre em contato direto com aquilo que já é completo, esse momento mesmo, que nunca foi ou será imperfeito, sem lacunas ou desvios.

A iluminação não é aonde você chega, mas como você vai. O pico da montanha é onde estão seus pés.

Gustavo Mokusen.

flor

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