Mais sorrisos do outro lado do mundo

Caros leitores do ALD;

Retomamos as atividades do site após quase um mês sem novos posts, uma vez que estive viajando entre USA, Singapura e Indonésia, com o propósito de pesquisar a cultura local desses dois últimos países (e encontrar uma espaçonave, mas isso é outra história para outro post…). Como sempre digo, viajar é uma forma interessante de cortar a mecanicidade e entrar em contato com o real através do diverso; dessa vez fiz questão de deixar o mundo virtual um pouco de lado, o que explica o longo período sem postagens.

Dois velhos amigos vieram juntos, o Nichola e o Guilherme. O celular ficou para trás, o notebook também, a ideia era mergulhar direto na cultura, na atmosfera e na riqueza que só os países asiáticos podem oferecer.

Guilherme com vestes típicas, como o sarongue.
Guilherme com vestes típicas, como o sarongue.

Templos hindus milenares, mosteiros budistas de escolas diversas e um povo muito espiritualizado. Cheiro de incenso nas ruas, arte de todos os lados, esculturas maravilhosas até mesmo em pequenos vilarejos, campos de arroz espalhados nos vales e montanhas.

Templo Hindu em Batur
Templo Hindu em Batur
Em cada esquina, arte espiritual.
Em cada esquina, arte espiritual.

 Claro, também tinha o trânsito caótico, a exploração turística descontrolada, a água “potável” de algumas cidades (que não se pode engolir nem ao escovar os dentes) e os problemas típicos de países pobres – exceto o da violência e da criminalidade, que absolutamente não presenciei nos lugares por onde passei. Aliás, caminhava de noite tranquilamente pelas ruas sem nenhuma apreensão.

Interior de Munduk, Ilha de Bali.
Interior de Munduk, Ilha de Bali.

Mas o que mais me impressionou foram as pessoas, o capital humano que encontrei lá. Sorriem o tempo todo, e mesmo com a invasão turística em alguns pontos famosos como Bali, eles nunca perdem a paciência com os estrangeiros. Mostram alegria e satisfação em falar com as pessoas, com muita educação. E basta dizer algumas palavras na língua local para que eles fiquem ainda mais solícitos. Fazem reverência com as mãos sempre que cumprimentam. Respeitam e praticam ao extremo as noções espirituais de Kharma, Dharma e aceitação, e o resultado disso é a convivência harmônica e pacífica entre islâmicos, hindus, budistas e cristãos. Claro, cada religião à sua maneira, mas todas em serena coexistência.

Sorrisos o tempo todo.
Sorrisos o tempo todo.

Encontrei com muitas pessoas pobres e simples, a maioria, mas que viviam absolutamente satisfeitas e contentes, sem nenhum sinal de miséria na alma ou na mente. Mostravam uma dignidade espiritual e emocional que ia além da matéria.

Felicidade natural
Felicidade natural

Num dia estávamos caminhando por uma trilha na montanha, e alguns moradores da vila próxima estavam transformando essa mesma trilha numa pequena estrada de blocos de concreto. Homens, mulheres e até crianças estavam ali trabalhando coletivamente sem ganhar nada, com material comprado por todos eles, tudo para melhorar o caminho dessa trilha. Eles ficaram felizes quando nos viram passar pelo pequeno trecho que já estava pronto, como se nós é que tínhamos feito um favor de andar por ali. E a gratidão era toda nossa, claro.  Conversei com pescadores, agricultores, vendedores, trabalhadores e todos me recebiam com o mesmo sorriso.

Nichola pedindo informações a uma camponesa
Nichola pedindo informações a uma camponesa

Isso tudo me fazia refletir sobre a clássica postura ocidental arrogante, de acumulação material, de exibição de títulos, de manutenção da autoridade, postura típica das culturas egocentradas. Pessoas fechadas em si mesmas, de fato. Ninguém sorri para ninguém, e isso é triste.

Um dos vários templos hinduístas da ilha de Bali
Um dos vários templos hinduístas da ilha de Bali

Noutro dia estávamos no meio da montanha em direção ao vulcão Butur e a gasolina do carro estava acabando. Paramos no meio do nada, numa vila de umas 5 casas, e numa delas podia-se comprar gasolina (na caneca). A primeira surpresa foi saber que o preço do litro ali era somente 30% mais caro que no posto (facilmente aqui no Brasil eu esperaria uma exploração de uns 100% a mais, no mínimo).

Algumas coisas você pode comprar...
Algumas coisas você pode comprar…
... já outras, é necessário conquistar com um sorriso
… já outras, é necessário conquistar com um sorriso

A outra foi testemunhar as crianças que corriam livremente voltando da escola mais próxima (tinha que andar uns 5 Km), e os velhos que faziam as pazes com o silêncio.

Criançada solta
Criançada solta
Olhar e silêncio
Olhar e silêncio

Naquele lugar parecia que, de fato, as crianças eram crianças e os velhos eram velhos.

Estavam rindo da gente...
Estavam rindo da gente…

Ainda não deu tempo de digerir tudo o que vi, nem tenho essa pretensão, mas aqui deixo essas fotos para compartilhar as impressões que tive.

Templo Budista da linha Theravada
Templo Budista da linha Theravada

Jardins do Templo
Jardins do Templo

Não estou certo se é justo fazer qualquer tipo de comparação, mas saí dessa viagem com a impressão de que, assim como os indonésios, deveríamos sorrir mais uns para os outros.

Gustavo Mokusen.

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3 opiniões sobre “Mais sorrisos do outro lado do mundo”

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