O exemplo arrasta

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre como influenciamos as pessoas ao redor com nosso comportamento, especialmente as crianças. Existe uma linguagem não verbal que é muito mais poderosa, eficiente e direta do que qualquer tentativa de explanação ou explicação racional: a linguagem do exemplo. Já diz um velho bordão – a palavra convence, o exemplo arrasta.

As crianças aprendem e apreendem a todo o momento. Aliás, enganam-se aqueles que pensam que atingimos nossa maior capacidade de cognição e aprendizado somente na fase adulta. Podemos até aprender coisas mais complicadas quando mais velhos, mas isso não significa absolutamente aprender com mais eficiência. Uma criança é como uma fita virgem, um disco de memória de enorme capacidade de armazenamento quase inteiramente limpo, com pouco registro ocupando espaço e extremamente rápido em captar o menor movimento ao redor e imprimi-lo em como informação e experiência. Ou seja, as crianças são altamente especializadas em aprender, justamente por ainda terem pouco registro armazenado em seus corpos e mentes. Ao contrário, nós adultos quando “crescemos” vamos, por medo ou outra coisa qualquer, nos apegando, entulhando uma porção de coisas, comportamentos e pensamentos viciados, de forma que vamos nos tornando mais e mais enrijecidos com todo esse peso que deveria, pelo menos de vez enquanto, ser revisto e reorganizado. A criança experimenta a todo instante, sempre aberta à novidade. E mesmo em casos onde, dizem, a criança é “apática” ou “tímida” ou “ansiosa”, se é que isso pode ser diagnosticado em tão tenra idade, ainda assim isso tudo é, na maior parte, apreendido de adultos depressivos, irritadiços, estressados e infelizes. Nós é que temos resistência ao novo, não as crianças. Incrível, não?

Seja você pai, mãe, aquele tio que aparece às vezes ou simplesmente um amigo da família, saiba que os pequenos estarão olhando (e aprendendo) com seus menores movimentos, ações e falas. Por menores que sejam. “Educação” não é um processo isolado que ocorre somente com determinados sujeitos ou em determinados ambientes, como os pais ou a escola.

Minha filhota Maya faz 2 anos de idade na semana que vem. Eu nunca ensinei a ela o sentar para meditar, uma vez que isso deve ser uma busca natural da pessoa, e mesmo porque ela nem precisa disso ainda. Mas vejam só o que ela fez hoje de manhã:

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Além do orgulho de pai coruja (claro, né?) e da gargalhada que dei, tomei um susto. Para quem já fez meditação zen, é evidente a postura correta nos detalhes que, muitas vezes vezes, os adultos esquecem de fazer: a mão esquerda por cima da direita, polegares se tocando e um sorriso maroto “fui…”. De novo: eu nunca ensinei formalmente nada a ela. Apenas sentava na frente dela na postura, como brincadeira. Mas… pera aí: isso é ensinar! Percebem o poder do exemplo?

Outro dia, saindo do banho, ela me esperava na cama desse jeito, depois que assistiu uma pequena gravação que fiz com voz e violão:

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Olhando isso tudo, penso: a responsabilidade que temos em nossas ações não é pequena. Ela vai além de nós mesmos e influencia os que nos observam e também os que estão longe…

Bom, esse post eu dedico à inocência, beleza, força e inteligência luminosa que estão presentes nas crianças. Em todas elas. E nos adultos também, só que às vezes anda meio entulhada e empoeirada e esquecida…

Feliz aniversário Maya, e obrigado por ser essa luz no meu caminho.

Gustavo Mokusen.

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Uma opinião sobre “O exemplo arrasta”

  1. Cara que maravilha, isso é totalmente verdadeiro! E aproveitando o momento gostaria de parabeniza-lo, esta é uma prova inconteste de que você é um pai maravilhoso para o Maya, que com certeza vai ser uma criança muito feliz. Parabéns.

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