Sobre o paladar

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Você precisa provar o mesmo prato ao menos 10 vezes, em momentos diferentes, antes de concluir que não gosta dele. Nosso paladar, dizem as pesquisas científicas, é construído nas sucessivas experiências que temos com os sabores, e não se encontra pronto, acabado. Por isso, ele muda, se adapta e é construído experiência após experiência.

Isso significa que uma primeira impressão pode mudar. Isso significa que não podemos bater o martelo no primeiro dissabor. Tudo bem, não precisa ser dez vezes, mas devemos tentar um pouco mais. Dar uma chance. Experimentar diferente.

Incrível como isso se ajusta às relações interpessoais, não? Quantas vezes, ao conhecermos alguma pessoa nova, não fazemos um julgamento que muda com o tempo? Acredito que, assim como o paladar, nossas relações necessitam de tempo para se manifestarem como realmente são. Precisamos de tempo e experiência para construir nossas impressões sobre as pessoas e sobre a relação que temos com elas. E não podemos ser precipitados ou apressados.

Costumo dizer que as relações são como termômetros. Medem como estamos em um dado momento, como anda nossa saúde relacional, se possuímos habilidades sociais. Impossível se relacionar sem experimentar um momento amargo, e é aí que aparecemos como somos. Na relação com o outro.

Existem cinco sabores principais: doce, salgado, azedo, amargo e picante. A partir deles, uma infinidade de temperos diferentes pode ser criada para o mesmo alimento. Você pode gostar ou não de berinjela, depende de como é feito e também do tamanho da sua fome. Agora imagine quantos temperamentos diferentes existem nas pessoas, e imagine que uma mesma pessoa pode variar enormemente seu temperamento em diferentes condições. Como poderíamos dizer de antemão que gostamos ou não de alguém baseados em uma única experiência que temos com essa pessoa? Não faz o menor sentido.

Se sua relação azedar com alguém, lembre-se de experimentar diferente. Pode ser valioso buscar novas formas de contato. Afinal, não podemos simplesmente desperdiçar e jogar tudo no lixo no primeiro impulso, não é mesmo?

Falando em impulso, muito cuidado com a água na boca. Diz o ditado que sempre é bom experimentar primeiro um pedacinho, ao invés de abocanhar tudo de uma vez só.

Gustavo Mokusen.

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Uma opinião sobre “Sobre o paladar”

  1. Realmente, tem tudo a ver… Quantas vezes mudamos a impressão formada? É mais comum do que imaginamos. Abs.

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