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Abaixo o post do site ALD mais clicado nesse ano de 2012.

O PODER DO SIM

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, em parceria com a empresa Worldwide Independent Network of Market Research (WIN), divulgou no início de 2012 que cerca de 74% dos brasileiros possui uma visão otimista da vida. A mesma pesquisa foi realizada ao redor do mundo em 58 países diferentes, para aferir o que se chama de “Barômetro Global de Otimismo”, e os dados colhidos revelam que 80% das pessoas no mundo são otimistas. Ou seja, de cada 10 pessoas escolhidas aleatoriamente ao redor do mundo, 8 são otimistas ou se colocam de maneira positiva em relação às questões da vida.

Uma explicação científica para este fato surgiu com os trabalhos da equipe de neurocientistas da University College London, no Reino Unido, que demonstraram um fato curioso: nossos neurônios são mais eficientes em assimilar e projetar as experiências positivas, e menos eficientes para as negativas. Ou seja, nós pensamos coisas boas e ruins, mas simplesmente somos mais eficientes para projetar as experiências boas para a realidade. Normalmente, quando vamos viajar de avião não ficamos alimentando pensamentos que ele vai cair, mas sim que vamos chegar ao destino, não é mesmo?

Agora veja: o mundo é otimista por maioria absoluta e nossa mente é mais eficiente em assimilar experiências positivas. Será que vale a pena escolher o time otimista para jogar? Claro que sim! E aqui eu quero chamar a atenção para um ponto especial: o poder do sim. Nossa linguagem é dualista, ou seja, bifurcada entre o sim e o não, entre a afirmação e a negação, mas de forma curiosa fomos educados para trabalhar mais com o não do que com o sim, sabotando então nosso pleno potencial mental. Tipo, quando eu estava escrevendo este parágrafo, automaticamente eu tinha colocado a pergunta acima da seguinte maneira: “Será que vale a pena escolher o time pessimista para jogar? Claro que não!”. Eu tinha orientado a questão naturalmente para a resposta negativa, para a direção oposta da qual queria ir. Sacou? Eu reescrevi a pergunta na sua modalidade afirmativa, e vejam a diferença.

Falamos muitos “nãos”. E isso, claro, é a forma menos eficiente de usar seu potencial mental consciente e inconsciente. Vamos supor que eu queira parar de comer chocolate. Eu posso dizer isso de duas formas: “eu vou parar” ou “eu não vou mais comer”. Parece que é a mesma coisa, mas na verdade as duas proposições funcionam diferente. A afirmativa é clara e alinhada entre o sujeito e a ação: eu vou parar. Não há confusão. Essa é a mensagem que fica na mente, o comando final. Já na modalidade negativa, temos um nó mental: “não vou mais comer” possui dois comandos em um só. Primeiro: eu “não” vou fazer algo. Mas o quê eu não quero fazer? Segundo: comer chocolate. Mas como foi demonstrado na pesquisa, a afirmação tem mais força que a negação em nosso cortéx cerebral, e o comando mais forte que fica na mente é justamente o que fecha a frase: comer chocolate. Toda negação deve incluir uma afirmação negada, e o seu “não” só irá reforçar a afirmativa, percebe?

Podemos usar mais o “sim” em nossas vidas. É claro que não se trata de abolir neuroticamente o uso do “não” na linguagem, mas existem circunstâncias onde as afirmações são mais poderosas e podem ajudar mais. Eu devia ter uns 20 anos de idade e uma cena não me sai da memória: estava dentro de um ônibus, voltando da escola para casa. De repente entra um mendigo e pede uma esmola a uma senhora. Ela diz um sonoro “não”. Sabe o que ele disse? “A senhora está muito negativa hoje, está falando muito ‘não’ para os outros, seja mais positiva, precisamos falar mais ‘sim’ para as pessoas”. Acreditem, eu ouvi isso com meus próprios ouvidos. Resultado: a pessoa do lado deu um sorriso, concordou com ele e lhe deu uns trocados. Sem entrar no mérito da questão, ele simplesmente reverteu aquela situação através do uso do poder do sim, através de um convite afirmativo, e no final conseguiu o que queria contagiando outra pessoa.

Faça experiências. Já ouvi um amigo convidar alguém usando a pergunta “você não quer sair para jantar, não?”. Pera aí, você usa dois sonoros “nãos” em seu convite e ainda assim quer ouvir um “sim”? Me ajuda aí, um “você gostaria de sair para jantar?” soa bem melhor, né? E outro dia uma colega de trabalho veio com sua fofoca diária representar os 20% pessimistas do mundo, tentando me converter:

– “Nossa, esse lugar não tem jeito mesmo, tudo é difícil, tudo é devagar, fulano negou fazer isso e aquilo, tudo é complicado, eu não aguento, eu vou negar também, tudo é complicado…”

Eu respondi:

– “Uai,  diga sim, SIMplifica o trem, sô…”

Gustavo Mokusen.

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