O ideal e o real

Em paralelo com as coisas e os fatos estão as ideias e os pensamentos que temos sobre eles. Este mundo interior do pensamento e da ideia determina já a necessidade do uso de linguagens, uma vez que o pensamento requer expressão. O pensamento em si já é uma linguagem, com seus signos e sua gramática particular; uma linguagem descritiva das coisas e dos fatos.

A ocorrência do pensamento é a ocorrência básica e comum da espécie humana. O homem está destinado a sofrer a ocorrência do pensamento.

Há assim dois mundos: um que chamamos de real, aquela realidade concreta das coisas e dos fatos que lhes acontecem, e o outro chamado de mundo interior, as idéias que construímos a partir desta realidade.

Algumas pessoas perguntam: o que vem primeiro, a ideia ou a realidade? Mas essa pergunta é uma forma de distorção, pois o próprio pensamento ocorre dentro daquilo que chamamos de realidade.

A priori, não se pode nem afirmar que são dois mundos separados e absolutamente distintos, o da realidade e o do pensamento. De alguma forma, eles se interligam e se comunicam. Longe de ser apenas mais um conceito abstrato, tal conexão significa que: é possível realizar o pensamento e pensar a realidade.

Assim, é possível pensar com a ação e agir com o pensamento.

Pensar com a ação significa: por exemplo, em nós mesmos, podemos pensar com o corpo. Colocá-lo em certas posturas específicas onde, a partir destas condições, certos tipos de ocorrências mentais aconteçam, certos estados mentais sejam produzidos e mantidos. A meditação é um exemplo.

Agir com o pensamento significa: projetar uma ideia com força suficiente para moldar a realidade concreta. Um quadro bem pintado, por exemplo, é fruto da ação do pensamento colocado em prática, inclusive produzindo efeitos reais nas pessoas que o observam.

Supor que as coisas são apenas coisas fechadas em si mesmas é desprezar a estrutura interdependente do universo. Adicionar significados em excesso às coisas, e assim adulterá-las, é uma tentativa de controlar e moldar tudo o que não se compreende.

O materialismo cega. O idealismo distorce. O materialismo limita. O idealismo dá uma liberdade ilusória.

Um equilíbrio é alcançado quando realizamos que há um ponto de comunicação entre o mundo subjetivo e o objetivo. Desse estado balanceado depende toda a harmonia e bem estar humano.

Gustavo Mokusen.

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