Quem poderá lhe salvar?

Na sua frente, uma bomba relógio já em contagem regressiva e seus dois clássicos fios, um vermelho e o outro azul. O visor mostra que o tempo já está se esgotando e a explosão é iminente. Qual dos fios cortar para desarmar a bomba?

Muitas vezes as situações mais críticas das nossas vidas se apresentam desta forma dramática, onde temos que agir e tomar decisões rapidamente, com a diferença de que não se trata de um filme de ação, mas sim da nossa mais direta realidade. Pode ser um amigo que nos pede para intervir numa situação delicada, um momento crítico onde somos envolvidos numa explosão emocional do colega de trabalho, uma negociação com alguém desonesto que quer levar vantagem em algo ou simplesmente durante uma discussão de conciliação numa relação afetiva. Qual a decisão certa? Como desarmar o medo, a raiva, o apego e outras emoções desagregadoras em situações críticas a fim de evitar consequências ainda mais desastrosas? Qual fio cortar? Quem poderá lhe salvar?

Ninguém, a não ser você mesmo. E tem mais: não existe nenhuma receita pronta que possa ser aplicada nas mais diferentes situações que possam emergir. Isso significa que, às vezes, o fio a ser cortado é o vermelho; outras vezes, é o azul que vai desarmar a bomba. Ainda, pode ser que os dois devam ser cortados juntos ou, numa situação mais complexa, nenhum deles. Se mexer estraga mais.

É claro que você pode e deve pedir ajuda quando se sentir com dificuldades. Pedir ajuda é de sabedoria extrema. Às vezes, o simples fato de pedir auxílio já significa desarmar a bomba, ou então a frase do tipo “como eu poderia lhe ajudar?” tem um poder atenuador enorme; mas veja que mesmo nessas situações você teve que agir, que pedir, que se manifestar. É isso que significa dizer que “ninguém pode lhe salvar”, ou seja, ninguém a não ser você mesmo poderá agir em nome da sua própria harmonia.

“O difícil exercício de viver em paz” é realmente um desafio constante. Instante após instante recebemos influências de forças desestabilizadoras e temos que rapidamente reencontrar nosso ponto de estabilidade. Creio que a questão do equilíbrio pessoal e emocional é melhor compreendida quando entendemos a natureza dinâmica envolvida nesse ponto: nenhum equilíbrio emocional é estático, ao contrário, é sempre dinâmico. É como andar de bicicleta; o equilíbrio deve ser mantido, reestabelecido e corrigido a cada segundo, a cada momento. É contínuo e dinâmico. Não dá para dizer: pronto, encontrei o equilíbrio. Às vezes precisamos virar para a direita, no momento seguinte para a esquerda, ou então simplesmente seguir em frente; além disso, devemos desviar ao máximo dos obstáculos, das pessoas e buracos e também temos que dosar boas freadas, pois ir devagar demais ou muito rápido pode ser o início de uma queda. Não, na verdade o equilíbrio é mantido a cada pedalada, a cada vez que mudamos a direção do guidão, ele é encontrado incessantemente ao longo do passeio que damos.

Entender que nossas relações – e também os problemas que surgem nelas – possuem um caráter dinâmico é o ponto chave para uma postura mais equilibrada. É necessário sempre manter o equilíbrio, que nunca é estático. Para isso, precisamos agir continuamente a fim de atenuar as forças desequilibradoras que possam surgir. E, se cair, levante e tente de novo.

Não desanime frente a uma situação complicada; perceba que o grau de complexidade de um problema é diretamente proporcional ao poder libertador da sua solução.

Gustavo Mokusen.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s