Ética, organização e controle

A questão atual que diz respeito ao problema da ética, da dificuldade de se vislumbrar um comportamento que seja eticamente adequado, realmente prático e não apenas idealizado, é uma questão que toca fundamentalmente o problema da desorganização interior que assistimos dia a dia. Quando há confusão interna no sujeito, quando não há organização e clareza suficientes para que a tendência à desordem seja neutralizada, então esse sujeito se vê impossibilitado de alcançar um nível mínimo de segurança que o permita discernir adequadamente, tomar decisões e sustentar uma postura que seja coerente com sua mais essencial ética. Essa ética essencial, que é proveniente de dentro para fora e parte de uma consciência desperta e atuante, é natural em cada ser humano, no sentido de que ela existe de forma latente e é possível a todos nós, mas, ao mesmo tempo, só pode emergir através de um trabalho de organização que seja levado a cabo muito seriamente.

Querer organizar as pessoas e a sociedade apenas de fora para dentro, através unicamente de um código moral de comportamento ou de regras impostas por qualquer tipo de autoridade que seja, é um contra senso, é uma simplificação grotesca, é uma forma absolutamente ineficiente de lidar com a natureza humana, através da qual não vislumbro nenhuma possibilidade eficaz de se alcançar algum estado de harmonia que seja mais duradouro. Quando assim se age, privamos as pessoas de desenvolverem seu amadurecimento devido que poderiam alcançar em suas existências, porque estamos incentivando desta forma não o uso das faculdades individuais mais elevadas da consciência, mas sim a substituição dessas por uma padronização cega social, por uma imitação comportamental e por uma violenta imposição de alguma autoridade externa. Além disso, torna-se óbvio que esse método sempre traz consigo o risco de manipulação social das manobras de massas, através das quais a ética essencial de cada indivíduo é assassinada e trocada por alguma outra forma distorcida substitutiva, como a construção artificial denominada ética das relações de consumo, por exemplo, que na verdade procura justificar em primeiro lugar o objetivo geral do lucro.

Ora, se a ética essencial natural de cada ser humano fosse preservada, incentivada, organizada e desenvolvida, não seria necessário qualquer outro tipo de código externo imposto. Um sujeito que possuísse uma elevada organização interna de sua consciência não precisaria de uma autoridade externa para sempre lhe ditar o que fazer, seja ela o estado, a ciência, a moda, o guru, o dinheiro ou qualquer outra que seja. Mas isso, essa forma de liberdade extrema que incomoda, que questiona, que se posiciona de forma coerente e revela o engodo, esse tipo de organização não é, absolutamente, interessante para os que detêm o poder, não é mesmo?

Esses e outros assuntos serão abordados hoje no seminário sobre Ética que irá ocorrer no auditório da Faculdade de Minas – FAMINAS, na Av. Cristiano Machado 12.001, ao lado da Estação Vilarinho de Metrô, às 19:00 horas. A entrada é franca e todos estão convidados.

Gustavo Mokusen.

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