Navegar com as emoções

Dizem que as pessoas que vivem próximas ao mar conhecem melhor a natureza das emoções humanas.

O oceano traz mistério e força. Suas marés se alternam, assim como nosso estado emocional. Às vezes nos sentimos plenos, cheios de vigor, fortes, como a maré alta. Nesses períodos nossa atividade é intensa, a confiança aumenta e temos muitas emoções positivas. É hora de realizar. Mas em outros momentos ocorre o inverso, isto é, experimentamos dificuldades, nos recolhemos em silêncio, percebemos que nossa energia é mais baixa e nossa força decresce. São os dias difíceis, os períodos críticos que passamos. É hora então de recuar e esperar até que nosso estado volte ao normal. Devemos descansar na maré baixa.

Há também as tempestades emocionais, assim como as tempestades marítimas. O horizonte fica então escuro, o vento sopra forte e frio, nuvens carregadas se aproximam e tudo é uma explosão de energia. Seria arriscado sair para navegar no mar nesses momentos. Assim, também não seria conveniente tomar decisões em momentos de tempestades emocionais. Mas o lado bom das tempestades é que elas chegam, descarregam a tensão e depois sempre vão embora. Elas passam. Se esperamos um pouco, de repente o céu começa a ficar mais limpo e o sol volta a brilhar. Então é hora de pegar no leme novamente e seguir em frente.

No mar tudo está em movimento, nada está parado. Assim também ocorre com nossas percepções, emoções e sensações. Elas estão ocorrendo a cada instante, nos trazendo estímulos, flutuações de humor, certezas e incertezas. Não deveríamos nos preocupar com isso tudo. Você não se aborrece pelo fato das ondas no mar irem e virem ininterruptamente, não é? Essa é a natureza do oceano, e também é a natureza das nossas emoções. O segredo é não se apegar a elas, pois elas estão em movimento perpétuo. Irão se transformar, esteja certo disso. Quando se conhece tal aspecto, podemos fazer uso e aproveitar as mudanças, as correntezas que vem e vão, as flutuações.

Por fim, a maré é imprevisível. Você nunca sabe predizer ao certo o que aparecerá na praia amanhã. Neste ponto, aceitar é uma arte, é harmonia com a realidade presente.

Sim, o oceano é uma fonte inesgotável de vida e conhecimento, mesmo com todos os percalços e dificuldades. Navegar é preciso, é uma ordem, até que nossa embarcação possa atracar no porto de destino.

Gustavo Mokusen.

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