Nenhuma verdade, apenas os fatos.

Vamos começar investigando algo muito simples. Escolha qualquer coisa à sua volta para ser seu objeto inicial de investigação, pode ser uma mesa, uma árvore, um copo d’água ou qualquer outra coisa que esteja em seu campo visual neste momento.

Vamos supor que uma árvore tenha sido tomada como o foco da investigação. A investigação consiste no seguinte: essa árvore que está à sua frente, frondosa, cheia de galhos e folhas verdes, balançando ao vento, essa árvore, o que é essa árvore? O que realmente é essa árvore?

Esqueça tudo o que você pensa que sabe sobre ela.

Mantenha firme a seguinte pergunta: é possível ver realmente essa árvore, ver diretamente o fato denominado como “árvore”, sem a intermediação de sua própria denominação linguistica e de nenhum outro conceito mental?

Certo, você tem uma palavra, a palavra “árvore”, e a partir da associação dessa palavra que você aprendeu a essa coisa verde que se encontra à sua frente você acredita estar em contato, conhecer essa coisa chamada, denominada, conceituada como árvore. Então você tem uma palavra que se traduz por vários conceitos que você aprendeu ao longo dos anos e que dependem de várias condições, por exemplo, se você é um biólogo a sua palavra “árvore” vai ter um significado muito diferente da mesma “árvore” dita por um lenhador.

Mas nossa investigação é a seguinte: é possível olhar para essa árvore sem a palavra “árvore”?

Estou lhe fazendo um convite para simplesmente abandonar, por alguns instantes, tudo o que você pensa e traz a respeito dessa árvore e apenas investigar com uma mente vazia de conceitos.

Eu não estou interessado se você é um biólogo e vê essa árvore como a casa dos passarinhos e como funciona o mecanismo da sua reprodução, ou se você é um lenhador e vê ali matéria prima para sua atividade de ganha pão. Neste momento isso não interessa em nossa investigação, estamos investigando se é possível olhar para aquela coisa sem a palavra que associamos a ela. É possível?

Se certo esforço for feito para simplesmente abandonar essa teia de conceitos e palavras, deixar tudo isso para trás, esquecer por um instante nosso mundo subjetivo e simplesmente contemplar, ver diretamente aquilo que é o foco da investigação, então seria possível simplesmente entrar em contato, testemunhar o fato cru que se encontra à minha frente?

Se você fizer isso – e adianto que é possível fazê-lo, não é necessário ser um iluminado ou alguém especial para tal – então você estará vendo o campo dos fatos. Nenhuma verdade, nenhuma palavra, nenhum conceito, nenhum julgamento, apenas os fatos.

Bem, o exercício preliminar já foi feito e agora vamos à segunda parte da nossa investigação. Vamos redirecionar agora o foco para dentro de nós mesmos, e não mais para um objeto externo. Aqui, acredito, é que nossa investigação alcança uma aplicação bastante interessante.

Escolha algum sentimento, emoção ou aspecto de sua personalidade para o qual você deseja uma melhor compreensão, uma mudança, uma libertação. Pode ser sua vaidade, sua avareza, sua arrogância, seus medos ou qualquer outra coisa do tipo.

Vamos supor que o medo tenha sido escolhido. Repita para ele todo o processo de investigação que fizemos no caso da árvore.

O que é esse medo? Medo de quê? Como sou medroso? É possível ver esse medo para além de qualquer conceito?

Isto é, jogue fora o que você associa a esse medo, o que os outros associam a ele, jogue fora até mesmo a ideia de medo, jogue fora qualquer ideia de “gosto” ou “não gosto” e simplesmente trate de vê-lo. Não queira se livrar dele, e nem crie um lugar oposto chamado não-medo, simplesmente olhe para ele. Como esse medo acontece? Veja bem, não estamos interessados em nenhum tipo de julgamento, assim como no caso do biólogo ou do lenhador não tem a menor importância as “verdades” que já possuímos a respeito dele.

É possível olhar para esse medo sem a palavra “medo”?

Investigue dessa forma por alguns instantes. Mantenha uma absoluta honestidade intelectual para ver os fatos, sem omitir ou acrescentar nada a eles. Organize sua percepção. Se não estiver claro agora, volte a investigar daqui a algumas horas, ou amanhã, ou ainda quando se flagrar sentindo medo.

Consegue ver? Estou apenas lhe fazendo um convite para abandonar tudo o que você pensa e traz a respeito desse medo e apenas investigar com uma mente vazia de conceitos.

Então algo muito real começa então a ocorrer, não? Algo muito diferente de tudo o que já fora antes experimentado através da velha ótica dos conceitos e da palavra “medo”.

Se quiser, pode enviar um email e relatar aqui o que está experimentando e, assim, compartilhar suas descobertas: contribuicao@aluzdodia.com

Nenhuma verdade, apenas os fatos.

Gustavo Mokusen.

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2 opiniões sobre “Nenhuma verdade, apenas os fatos.”

  1. Coincidências existem? Estava procurando a foto de uma árvore para ilustrar uma questão de Física e qual foi a imagem que escolhi? A postada por um Físico e acompanhada de uma bela reflexão. É coincidências não existem.
    Obrigada Gustavo.

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