Liberdade condicionada

A condição da liberdade é sua própria limitação, ou seja, se existe algum fator condicionante no ser, de qualquer natureza que seja, então ali não pode haver, de fato, liberdade. Em última análise, até mesmo essa palavra e esse conceito – liberdade – já traz em si uma teia de elementos e definições condicionantes que colocam o ser sempre preso na insatisfação de querer ver-se livre, de alcançar esse ideal e seu conteúdo que representa a libertação.

A consequência natural dessa confusão, desse equívoco, dessa representação é que, obviamente, a busca pela liberdade torna-se uma obsessão, um fardo a ser carregado, uma meta a ser atingida, defendida e mantida. O mesmo se aplica a outros conceitos e ideais que movem nossa cultura moderna como, por exemplo, a felicidade. Nunca se viu tanta perseguição por essa chamada felicidade como atualmente, geralmente justificada pela posse e obtida através do método de consumo de coisas, ideias ou pessoas. Em outras palavras, igualmente condicionada.

O que se vê, portanto, é que qualquer liberdade baseada em condições é uma liberdade condicionada. Qualquer tentativa de cercar uma porção de tempo-espaço e atribuir a essa porção a qualidade de liberdade já é uma tentativa condenada à frustração, ao insucesso. Nestes termos, poderíamos dizer que a perseguição ao ideal da liberdade é justamente a própria medida de seu oposto, ou seja, a do sentimento de aprisionamento, assim como o apego à noção da felicidade traz certamente a sensação constante da infelicidade.

Gustavo Mokusen.

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