Os limites entre os pares de opostos

Quando você pega um termômetro nas mãos, onde começa o calor e termina o frio?

Quando você apaga uma vela acesa, o que desaparece primeiro: o brilho da luz ou a sombra que ela produzia nas coisas?

É o silêncio que nos permite identificar um som que emerge ou será que são os sons que nos dão a oportunidade de experimentar o silêncio quando eles estão ausentes?

Nós tratamos a realidade a partir da lógica cartesiana do “sim” e do “não”, do certo e do errado, do preto e do branco. Dentro dessa perspectiva, as coisas parecem ter existência própria, isolada das demais. Mas, de fato, todos os dualismos ocorrem dentro de uma unidade, de forma que se investigarmos a raiz dos fenômenos vamos nos deparar sempre com a matriz existencial de tudo, que é por natureza indivisível e contínua no tempo-espaço em que vivemos.

As perguntas acima nos remetem a essa natureza intríseca das coisas. E essa natureza intríseca abraça todas as aparentes contradições, ou seja, tudo inclui. A realidade nunca é contraditória, por mais complexa e insondável que pareça. Ela nunca é contraditória por que sempre emerge da unidade fundamental que sustenta o mundo fenomenal manifesto.

A luz e sombra, o frio e o calor, o som e o silêncio são apenas pontos opostos da mesma continuidade chamada de realidade. Opostos, mas não contraditórios. Um não pode existir sem o outro, e ambos são sustentados pelo mesmo campo fenomenológico existencial.

Por isso, os limites entre os pares de opostos são puramente relativos, e nunca absolutos. Some-se a isso a fantástica atuação da lei da impermanência, que nunca cessa de transformar nosso mundo, e teremos então uma realidade absolutamente dinâmica, sempre em transformação e jamais estática.

A mudança muda o mundo. Mundança.

Porquê se apegar?

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

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