É o que tem pra hoje

Nessa expedicao que estamos fazendo no México passamos por muitas regioes e situacoes diferentes. As vezes haviam boas condicoes, as vezes nao. Existe um ensinamento no zen que coube muito bem em todas estas situacoes: “comer o que se tem pra hoje”.

Isso significa adaptacao e aceitacao na realidade que se apresenta. Por exemplo, para chegar a alguns sitios arqueologicos nao havia nenhum tipo de transporte convencional. Ou caminhavamos ou simplesmente nao chegavamos. Nao adiantava nada reclamar ou ficar imaginando o “como seria”. E nesses trechos tambem nao havia muita comida disponivel, apenas o que conseguiamos levar. Aconteceu, no fim de um dia desses, que toda nossa comida havia acabado, menos um saco de nozes, amendoim e confetes misturados que eu havia trazido do Brasil, e já bastante castigado pelo calor ambiente e pela poeira da estrada. O Leo olhou para mim, eu desenrolei o saco e disse: “é o que tem pra hoje”. Caímos na risada e comemos com muito paladar.Acredito que essa postura, quando exercitada sem extremismos ou comodismos, pode ser bastante benéfica em nosso dia a dia. Tiramos dos ombros o peso de fazer tudo perfeito, ou de exigir a perfeicao das coisas que se apresentam a nós. Simplesmente nao nos apegamos nas coisas boas e nem repudiamos as que consideramos ruins, tratamos todas as situacoes como se fossem as melhores que poderiam ter se apresentado e seguimos em frente. E assim vamos transformando nossa perspectiva sobre o que antes consideravamos um desconforto.

Essa postura torna-se particularmente interessante quando percebemos que nao podemos controlar a realidade que nos cerca. Simplesmente nao temos esse poder. Quando menos se espera, uma variável nova se apresenta e muda tudo. E aí? Chorar e reclamar? Nao, mais interessante é improvisar e se adaptar, assim como um camaleao.

Somos uma raca com um passado incrível de adaptacao, aliás nossa espécie é justamente fruto de um processo milenar de adaptabilidade. Portanto, todos temos esse poder, o poder de superar dificuldades. Isso vale para uma viagem, um casamento, um problema profissional ou outro qualquer. A habilidade é genérica, o uso que fazemos dela é que pode ser particular.

Entao, duas horas depois de comer aquele mix de graos cheio de poeira, chegamos em uma vila. Na esquina daquele fim de mundo, pasmem, uma kombi velha vendendo pizzas. Sem hesitar, dissemos juntos já caindo na garagalhada: é o que tem pra hoje!

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

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