O mapa não é o territótio

Mais um insight daqui do México: o mapa nao é o território.

Estamos acostumados a linearizar a realidade, a representá-la  de forma cartesiana e a usar as representaçoes que criamos como se fosse, de fato, o real. Nossa linguagem é poderosa, nossas ferramentas intelectuais também. Podemos criar formas representativas até mesmo surpreendentes, que em muitos casos parecem ser exatas e perfeitas.  Até que vamos lentamente e sutilmente tratando a representaçao como se real fosse.

Em muitos momentos estamos usando mapas e cartas topográficas em nossa expediçao, para localizar cidades e sítios arqueológicos. Em vários desses momentos vimos claramente como o mapa nao foi capaz de funcionar como deveria. As vezes por causa de um mínimo detalhe que nao continha, ou de uma proporçao indevida. Outras vezes a nossa interpretaçao do que estava representado foi equivocada. Em suma, quando se pratica esto tipo de navegaçao – comparando o terreno com sua representaçao – fica claro que uma coisa é o papel, a outra é a realidade.

Simplesmente nao dá para conhecer uma coisa através da sua representaçao. Isso pode parecer elementar, mas se observarmos o nosso estilo de vida cotidiano podemos perceber como fazemos isso em boa parte do tempo. Assimilamos mais conceitos do que experiencias. Muitas vezes acreditamos que “entender” uma coisa é suficiente, ou até mesmo que compreender uma situacao é suficiente. Mas a prática mostra exatamente o contrário, que o real entendimento sempre está conectado com a vivencia experiencial. Por exemplo, voce pode ler todos os livros que existem sobre meditacao, mas até que voce se senta sobre a almofada e passa ali algum tempo suficiente para realizar a açao integrada entre corpo e mente que essa pratica proporciona, voce nao tem exatamente noçao do que se trata.

Há um antigo ditado zen: voce nao matará sua fome lendo o cardápio.

Em outras palavras, isso equivale a dizer que o mapa, assim como o cardápio, pode até ser uma boa ferramenta de orientaçao que vai lhe dar uma direçao geral, mas definitivamente a aproximaçao teórica nao é suficiente para proporcionar vivencias e experiencias reais. É preciso fazer, experimentar, sentir, vivenciar. Fazer fazendo, como diz um amigo.

O caminho só existe quando voce passa por ele, e quando isso acontece a realidade ganha sentido na experiencia do vir a ser. E o vir a ser é construido a cada passo dado.

Quando tiver certeza de que conhece algo, duvide disso e vá checar seu conhecimento na prática, pois a certeza é tipicamente um conceito abstrato da razao. No mapa, um ponto está claramente colocado na frente do outro, mas quando vistos no território do real, isso pode nao ser tao simples assim. Devemos sempre ter em mente que há mais na paisagem do que a figura pode captar.

Votos de Luz,

Gustavo Mokusen.

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Uma opinião sobre “O mapa não é o territótio”

  1. Muito importante sua observação, pois nos coloca a importância da experiência e da desconstrução/construção de novos valores e ideias de vida, já que nada é fechado e para sempre. Obrigada! Abs, Dyamilla.

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