Sobre mudanças, criatividade e gestão pessoal

Revirando meus arquivos de documentos, encontrei um bate papo raro entre dois gurus da administração e da gestão organizacional, Peter Drucker, já falecido, e Peter Senge. Mesmo tendo acontecido já há alguns anos, o bate papo que ocorreu na casa de Drucker traz assuntos atuais e muito interessantes.Temas como rotatividade de empregos, reciclagem do conhecimento, auto-gerenciamento da carreira profissional, mudanças de mentalidade e flexibilidade de estratégias temperam as 3 horas de discussão e apontam para uma realidade de gestão dinâmica, para a necessidade de uma abordagem mais sistêmica aos processos gerenciais.

O tema das mudanças aparece de forma recorrente no bate papo. Os dois mestres estão em consenso no que diz respeito à necessidade de saber lidar constantemente com a mudança. Para tal, uma grande recomendação: deve-se criar um ambiente receptivo à mudança através do abandono ao apego de idéias e resultados já conhecidos. Isto significa abrir espaço para a inovação. Na verdade, poderíamos chamar isso de “desapego emocional profissional” uma vez que, para manter esse espaço sempre livre para que algo novo surja, temos que exercitar o abandono constante de nossas crenças e pontos de vista. Isso se torna muito interessante na medida em que não há como impedir as mudanças que estão por vir − na visão de Drucker, nem a gestão de uma mudança é possível − só se pode estar à frente delas. Forte isso, não?…

Outro apontamento interessante é a diferença tênue entre criatividade e solução de problemas. Este último tem a ver com procurar respostas “corretas” e evitar as “erradas” − mas em tal procura ainda não estamos no domínio do novo, da criação. Estamos apenas ajustando o que já existe. Entretanto, o processo criativo envolve algo mais do que manipular possibilidades. Envolve um salto, um ir além do que já se conhece em rumo ao… Inesperado. E essa é a grande questão, pois o inesperado envolve a dimensão do medo, e para ser criativo deve-se concentrar na transposição desse medo. Nas palavras de Drucker: “E essa deve ser a postura no topo, de alguém que não teme o inesperado”. Isso revela uma filosofia bastante fluida de encarar o inesperado não como um obstáculo, mas como uma alavanca para o sucesso. Peter Senge argumenta que essa é uma lição importante: alavancar e dar abertura a processos novos que estão querendo emergir ao invés de tentar reprimir aquilo que aos nossos olhos parece estar errado. Em outras palavras: focar no sucesso.

O bate papo é encerrado na discussão da questão do sentido no trabalho. A recomendação é expressa: deve-se lutar constantemente contra a gravidade que puxa em direção à mediocridade e à solução imediata de problemas. Encontrar um sentido no trabalho é fundamental para encontrar prazer no trabalho. E isto, aos olhos dos dois professores, é absolutamente possível. Não que se vá fazer apenas aquilo do que se gosta − mas antes, gostar daquilo que é feito na medida em que se compreende a necessidade e a importância do fazer. E como enfatizado durante todo o artigo, essa deve ser uma mudança de mentalidade que possa acompanhar a mudança da realidade, que por sua vez é sempre dinâmica ao nosso redor.   Votos de luz,

Gustavo Mokusen.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s