Vaidade e Consumo

Por Allyson Bastos

@allbastos

Qual é o papel da vaidade em uma vida com consumo sustentável?

Muitos dos nossos hábitos de consumo são impulsionados não pela satisfação que o objeto consumido nos proporciona, mas sim pelo efeito que causam à nossa imagem perante os outros.

Como certa vez disse o ator norte-americano Will Smith: “muitos passam a vida gastando dinheiro que ainda não ganharam, comprando coisas de que não precisam, para impressionar pessoas de quem não gostam”.

Essa é a grande verdade. Muitas vezes nossa satisfação decorre não do consumo em si, mas dos olhares de admiração ou mesmo de inveja dos outros. Quem nunca ouviu aquela história de que as mulheres se arrumam não para agradar a si mesmas ou a seus maridos, mas sim para causar inveja em suas amigas? Ou que os homens compram carros caros pensando mais na reação que provocarão em seus vizinhos do que em suas reais necessidades?

Parece que o valor que a sociedade reconhece nas pessoas hoje em dia decorre não daquilo que são, nem daquilo que têm, mas daquilo que parecem ter. Aí é que muita gente vive com a corda no pescoço, se esforçando por manter as aparências enquanto constrói seu castelo de cartas que, cedo ou tarde, vai desmoronar.

Agora, imaginem se as pessoas carregassem estampados em suas testas seus saldos bancários… Provavelmente teríamos muito mais poupadores e investidores do que temos hoje!

E por essa lógica de que o coração só sente aquilo que os olhos vêem, são comuns histórias de pessoas ricas que foram mal atendidas em hotéis e restaurantes pelo fato de não estarem bem vestidas. Do mesmo modo, são corriqueiros os casos de criminosos que conseguem ludibriar suas vítimas pelo fato de estarem bem vestidos, e se portarem de maneira refinada. O ditado é velho, mas certeiro: as aparências enganam.

O foco hoje está na aparência, não na essência. E quando a vaidade nos faz querer parecer superiores, mau sinal. É hora de buscarmos realinhar nossos valores e hábitos.

O momento é oportuno para isso.

Esta semana marca o início do período da quaresma que, na crença cristã, consiste em um tempo de reflexão e depuração. Penso que o simbolismo presente nesses dias, contudo, pode ser de grande valia para todos, independentemente das convicções religiosas.

A quaresma é tempo de vivenciar a experiência do deserto. Momento de exercitar o desprendimento daquilo que é externo e frágil e voltar os olhos para dentro, em busca da essência, em busca do que de fato é importante para cada um. O deserto é a metáfora para o sacrifício que lapida a alma e prepara o terreno para o rompimento com práticas viciadas.

Que tal, simbolicamente, aproveitarmos os próximos 40 dias para nos livrarmos da mentalidade competitiva que nos leva a querer parecer maiores, melhores ou mais ricos do que somos de fato?

Que tal nos prepararmos para romper com a vaidade mesquinha que ofusca o caminho do equilíbrio, da prosperidade e do crescimento?

Que tal nos concentrarmos mais em cuidar daquilo que os olhos não vêem, mas que o coração realmente sente?

Penso, entretanto, que apesar da conotação negativa, uma vaidade moderada pode ser benéfica. Se a vaidade nos leva a cuidar mais de nossa saúde, dos nossos bons hábitos, da nossa educação, da nossa prosperidade, enfim, se ela nos leva a sermos (e não a simplesmente parecermos) mais, ótimo.

Vaidade domada já é boa parte do caminho para a conquista da liberdade e para a construção de uma vida verdadeiramente rica.

Até o próximo encontro!

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