Verdadeiros valores

Por Allyson Bastos

@allbastos

“O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustrar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza” (Carlos Drummond de Andrade)

Dia desses, em uma das minhas esporádicas visitas a Belo Horizonte, resolvi revirar uma caixa com antigas bugigangas que não me acompanharam no meu êxodo para o Planalto Central.

Dentro da caixa, uma lata com minha coleção de moedas antigas… Havia muito tempo que aquela lata não era aberta. E quando a tampa foi retirada, o forte odor de metal oxidado quase me fez fechá-la rapidamente. Hesitei…

Quando criança, considerava aquela coleção de moedas minha “posse” mais valiosa, algo do qual me orgulhava de mostrar para os meus amigos, primos, ou qualquer um que fosse à minha casa.

Meus dedos não se cansavam de polir aquelas preciosidades, e quando o brilho do metal revelava detalhes até então ocultos pela ferrugem acumulada por décadas e décadas de manuseio, meus olhos brilhavam mais ainda. Como aquilo me deixava satisfeito! Era incrível imaginar quantas histórias guardavam aquelas moedas que, como dinheiro, já não valiam nada!

Anos depois, lá estava eu, quase rejeitando aquelas moedas que me garantiram bons momentos de alegria inocente, por conta do desconforto que me causava a sujeira resultante da minha falta de cuidado com elas, do meu abandono…

Mas, de repente, me vi menino de novo, e com um pedaço de palha de aço comecei a redescobrir aquele meu pequeno tesouro… E quanto mais o brilho ia ressurgindo, quanto mais os detalhes daquelas moedas tão “vividas” iam retornando ao meu mundo, mais eu reencontrava a felicidade fácil, própria da minha infância.

Acho que só por esse reencontro com o meu “eu criança”, minha viagem para Belo Horizonte já teria valido a pena.

Por meio daquelas simples moedas, pude notar que, no fim das contas, as lembranças que mais são capazes de nos tocar e de nos fazer experimentar uma satisfação pura, tão comum quando se é criança, são aquelas que nos conectam aos nossos valores despretensiosos e inocentes.

Percebi, também, que essas lembranças, vez ou outra, precisam ser resgatadas, cuidadas, valorizadas, para preservar ao menos um pouquinho desse modo cada vez mais raro de se satisfazer com a simplicidade das pequenas coisas.

Quanto dinheiro vale hoje minha coleção de moedas? R$30,00, R$40,00, R$50,00? Não sei. Mas sei que, dificilmente, aquela roupa da moda, que me custou R$300,00, vai me proporcionar uma boa lembrança daqui a alguns anos… Muito provavelmente não vou sequer me lembrar dela.

O cultivo das finanças multiplica dinheiro e as possibilidades de consumo, mas não gera valor. Valor de verdade só se adquire com uma vida farta em significado.

Quando criança, mesmo sem saber, criei valor ao depositar em minha coleção de moedas um significado especial. Depois disso, quanta coisa cara eu comprei, quantas experiências me custaram muito mais dinheiro do que valem aquelas moedas, mas por outro lado significaram pouco, ou mesmo nada.

Por isso, tenhamos sempre em mente que o equilíbrio financeiro é essencial para uma vida com qualidade, mas aquilo que acumulamos em nossas contas bancárias não passa de dinheiro. Valor de verdade criamos com a nossa consciência e guardamos em nossa lembrança.

É isso aí. Cuide bem do seu dinheiro, mas não se esqueça de multiplicar seus valores!

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