A gente só quer o lado bom das coisas

Por Márcia Cândido

Nada do que foi será do jeito que a gente viu há um segundo”. A música, uma das grandes formas de comunicação, transmite mensagens o tempo todo. No ritmo de um bolero, o trecho da música que eu citei nos faz pensar na transitoriedade das coisas e dos seres. Tudo muda o tempo todo. Tudo é impermanente. Talvez este seja um dos conceitos mais difíceis de serem assimilados. É natural que a gente se apegue àquilo que é bom, prazeroso e que nos faz bem. Mas, quando este conceito esbarra nos momentos difíceis, naqueles momentos que exigem muita concentração ou naquele dia em que as coisas não deram certo, ah!… ainda bem que tudo passa. ‘Ô dia difícil!’

Quando chegamos em casa, a pergunta é inevitável. “Que cara é essa? Tá tudo bem?” Relembramos de fragmentos do dia: o trânsito complicado, o chefe com a cara amarrada, o colega que faltou e nos deixou sobrecarregado, naquela resposta inesperada que nos deixou sem rumo ou naquela situação chata. A nossa resposta também é inevitável: “Nossa! Pensei que esse dia não fosse acabar” ou “Ainda bem que passou!”

Como somos contraditórios! Adoramos o verão, mas reclamamos do calor. No inverno, gostamos das coisas quentinhas – o leite, o chocolate, a sopa -, mas reclamamos da temperatura muito baixa: “Que frio!”. Por que será que só queremos só o lado bom das coisas? Simples: porque somos seres humanos, somos frágeis e fugimos do sofrimento, sem saber que, com ele, temos a oportunidade de aprender muito.

As nuvens nos comunicam coisas interessantes: não existe sequer um dia que elas estejam organizadas no céu da mesma forma. Ao contrário, elas mudam o tempo todo, assumindo formas que nos fazem sonhar e imaginar. Quando criança, quem já não ficou olhando para o alto, se divertindo: olha aquela nuvem, não parece um coelho?…  não, é uma planta… virou um bicho… agora é um chapéu!

É. A gente não sabia que naquele momento, a natureza estava ali, sem se impor, nos ensinando uma das lições mais dramáticas da vida: a impermanência de todas as coisas. De uma coisa é certa. Se a gente não aprende por amor, aprende pela dor.

Eu espero você para nosso próximo encontro, aqui no site! Até lá.

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