Qualidade de vida? Só se for agora!

Por Allyson Bastos

@allbastos 

Geralmente ligamos a idéia de planejamento financeiro à necessidade de experimentar um sacrifício hoje para obter uma boa colheita no futuro. Não é isso que propõe o bom uso da inteligência financeira, entretanto.

Mais do que um destino, a prosperidade deve ser encarada como um caminho. Pequenos passos diários podem garantir uma grande libertação das pressões consumistas e uma sensível melhora da qualidade de vida.

Antes de mais nada, é preciso perceber que o futuro não existe, e que todo dia é HOJE.

Quando estudamos, nosso objetivo não é sermos mais inteligentes no futuro. Estudamos para experimentarmos um pouco mais de conhecimento AGORA.

Por conta dessa mesma lógica, costumo não acreditar em estratégias que buscam conquistar uma boa qualidade de vida simplesmente por meio de privações no presente. Tais estratégias poderão até resultar em uma polpuda conta bancária, mas provavelmente determinarão um presente sem sal, sem gosto e sem boas experiências. E aí onde é que fica mesmo o bem-estar tão almejado?

Penso que devemos trabalhar a idéia de prosperidade como uma caminhada. Uma jornada que nos permita, a cada dia, subir mais um degrau na nossa escada de bem-estar. É importante, pois, que nossa rotina seja permeada de realizações verdadeiramente significativas. Um passeio relaxante no final de semana, um presente sincero para alguma pessoa querida, um bom filme, bons livros, um curso em uma área de interesse (não necessariamente em uma área que o “mercado” demande). São pequenas coisas que, desde que coerentes com nossas possibilidades financeiras do momento, nos proporcionam uma verdadeira sensação de prosperidade e a motivação necessária para prosseguirmos nesse caminho virtuoso.

Segundo o psicólogo norte-americano Frederick Herzberg, a motivação decorre de duas espécies de fatores: os fatores chamados higiênicos (ou insatisfacientes) e aqueles entendidos como propriamente motivacionais (ou satisfacientes).

Os fatores higiênicos são aqueles externos ao indivíduo, relacionados ao contexto de seu ambiente. Dentre tais fatores, podemos incluir a disponibilidade de dinheiro.

Por essa teoria, conhecida como Teoria dos Dois Fatores, os fatores higiênicos, como o dinheiro ou o conforto material, ainda que presentes de maneira ótima, são capazes tão somente de impedir a insatisfação do indivíduo. Não geram, entretanto, satisfação positiva, bem-estar interior ou uma genuína motivação para o desenvolvimento pessoal.

Por outro lado, os fatores motivacionais propriamente ditos são aqueles que se relacionam ao crescimento pessoal, ao sentido de utilidade depositado na rotina diária do indivíduo, à sua auto-realização. Esses sim são os fatores capazes de gerar a verdadeira satisfação, sendo, por isso, chamados satisfacientes.

Apesar de a Teoria dos Dois Fatores ser normalmente aplicada aos estudos ligados à Administração de Empresas e Organizações, nota-se que seus conceitos são de alcance muito mais amplo.

O dinheiro, como fator externo ao indivíduo, não é capaz de, por si só, gerar satisfação ou motivação alguma. E sem motivação, qualquer plano de se conquistar a independência financeira está fadado ao fracasso. Entretanto, como tenho dito em meus textos, se ao mesmo tempo em que incrementarmos nossas finanças, as empregarmos a serviço da nossa auto-realização, do nosso desenvolvimento espiritual, emocional, intelectual, enfim, dos nossos fatores motivacionais, aí sim estará formado o círculo virtuoso que irá impulsionar in real time o nosso bem-estar e propiciar, desde já, a desejada qualidade de vida.

Portanto, é preciso sim planejar as finanças e plantar as sementes, mas também manter a cabeça e os pés firmes no presente, com o compromisso de fazer de cada dia um grande dia, pois como bem afirmou o colega Gustavo Mokusen no seu magnífico texto “Quando já é agora”, é neste aqui-agora que passaremos o resto de nossas vidas!

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