Antes de pensar em ganhar, melhor tentar deixar de perder

Por Allyson Bastos

Quando se pensa em alcançar a independência financeira, é comum despender maiores esforços na busca por maneiras de aumentar os ganhos. Tudo bem, desde que a busca por tais ganhos não se torne a razão de ser de nossas vidas, consumindo todo o nosso tempo e energia.

Penso que o primeiro passo a ser dado na jornada pelo equilíbrio financeiro, todavia, é a identificação das nossas próprias fraquezas, dos ralos por onde nosso dinheiro escoa, das práticas que corriqueiramente acarretam perdas.

Multas de trânsito freqüentes, academias que são pagas mas não freqüentadas, comida comprada em excesso e que depois vai para a lata de lixo, cupons de compras coletivas que não são usados… É vasto nosso repertório de desperdício de dinheiro, e eu mesmo ainda me surpreendo transitando por uma das situações que acabei de citar. Pense bem: uma multa de trânsito de R$ 80,00, mais R$100,00 da academia não freqüentada e R$30,00 de comida desperdiçada somam R$210,00. Geralmente incorremos nesse tipo de prejuízo sem nos darmos conta.

Mas se pensarmos que essa mesma quantia de pouco mais de duzentos reais aplicada mensalmente na caderneta de poupança (que é um dos investimentos mais conservadores à disposição da população), ao final de 15 anos constituiria um capital de cerca de R$71.800,00 (ou cerca de R$90.000,00, em aplicações um pouco mais rentáveis, como Títulos Públicos), temos uma noção mais próxima da dimensão que os pequenos desperdícios adquirem no longo prazo.

Evitar essas pequenas perdas por alguns anos pode garantir que, em um futuro não tão distante, pelo menos parte de nossas despesas possam ser custeadas de maneira passiva, sem necessidade do salário. Desse modo, torna-se possível mudar o significado do trabalho em nossas vidas, de simples “ganha pão”, para fonte de auto-realização e instrumento de bem-estar para a sociedade. E acredite: há uma grande chance de sua vida profissional se tornar mais produtiva e mais prazerosa à medida que seu salário se torna desnecessário para o sustento de suas necessidades básicas.

O desperdício, portanto, é uma praga que corrói dia após dia possibilidades de concretizar sonhos. Nossos e dos outros. Imagine o efeito positivo que esses mesmos trocados desperdiçados fariam na vida daqueles que mal têm o que comer… ou daqueles que não chegam a se tornar gênios da ciência, ou das artes, simplesmente por não terem condições materiais mínimas para acionar o gatilho do desenvolvimento de suas aptidões.

Evitar o desperdício, mais do que uma prática para impulsionar o desenvolvimento pessoal, é questão de responsabilidade social. É preciso, pois, desaprender práticas viciadas, condutas inconscientes que desagregam e que nos mantêm afastados de nossas potencialidades.

E não basta que o desperdício seja combatido apenas em seu aspecto financeiro. A vida deve ser desenvolvida por inteiro. Podemos ter incríveis qualidades pessoais e profissionais, mas se não imprimirmos humanidade, compaixão, respeito e sentido ao modo com o qual nos relacionamos com o mundo, pode ser que o resultado da soma dê negativo. E energia gasta com aquilo que não engrandece, também é desperdício.

O caminho para a prosperidade, portanto, talvez comece por aí: aprender a transformar nossas perdas em ganhos e a evitar a autosabotagem que anula aquilo que de bom construímos ou tentamos construir em nossas vidas.

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2 opiniões sobre “Antes de pensar em ganhar, melhor tentar deixar de perder”

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