Equilíbrio emocional

Não acredito em equilíbrio emocional estático. O conceito de equilíbrio estático vem da Física, e ocorre quando a soma das forças que atuam em um corpo é igual a zero, estando esse corpo parado. A caneta na sua mesa, por exemplo. Ela está em equilíbrio estático, paradinha, sem reclamar da vida de ser caneta. Mas ela é uma caneta, e não uma pessoa que fala, ouve, tem sentimentos e toda uma vida emocional. Então, falar de equilíbrio emocional é completamente diferente de falar em equilíbrio na Física. No entanto, podemos fazer umas analogias interessantes. Quer ver? Um outro conceito físico é do equilíbrio dinâmico. Nele, um corpo está em movimento, mas a soma das forças que atuam nele é tambem igual zero. É tipo o carro que se movimenta numa estrada reta, e com velocidade sempre constante. A força de resistência do ar é contrabalanceada com a força que o motor transfere constantemente para as rodas, e o carro movimenta-se em perfeito equilíbrio dinâmico.

Equilíbrio emocional é, por natureza, dinâmico. Temos que, constantemente, mantê-lo através do uso de sentimentos, ações e forças balanceadoras. Há que se ponderar, sempre, há que se adaptar, nada é estático. Nossos desejos, nossos sentimentos e emoções mudam de peso, mudam de perspectiva – e o dos outros também. Alguém fez uma grosseria, o cara te fechou no trânsito, aquele sonho cor de rosa desbotou, estão te bajulando demais? Você se mantém na condição de equilíbrio emocional ou não, depende de como agir. Nunca vi ninguém se equilibrar na corda bamba sem ser flexível. Rigidez demais? Vai pro chão. Mas tudo bem; caiu, levanta e sacode a poeira, afinal a corda esticada é seu dia-a-dia, você não vai ficar de vítima culpando a gravidade terrestre e nada como um dia depois de uma boa noite de sono.

Mas olha só: reatividade nunca ajuda. Movimentos bruscos tampouco, assim como falta de delicadeza. Respiração, postura e ação consciente pra dar o recado. Às vezes nem precisa falar nada, basta não retribuir. Pura depuração interior. Aliás, o princípio de andar de bicicleta: vai cair para um lado, vira o guidão pro outro. Ah, meu chapa, isso sim é uma arte, equilíbrio emocional em plena época do culto ao ego, do culto ao individualismo e do homem-objeto. Mas é gratificante quando vamos conseguindo passar a maior parte do tempo em cima da corda e não beijando o chão. Isso é cuidar de si e dos outros também.

O princípio do equilíbrio emocional, nas palavras de Jean Paul Sartre: “O importante não é  aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Talvez por isso mesmo, com certa ironia e humor, o filósofo também afirmou: “O inferno são os outros”. Equilíbrio emocional tem a ver com contrabalancear as nossas demandas com as demandas alheias. Equilíbrio dinâmico.

Prenda a respiração e veja aí que aula fantástica de equilíbrio dinâmico:

Inacreditável, não? Mas é possível de ser realizado. O que mais gosto é que tudo é feito com movimento sutil, as estacas girando lentamente enquanto vão sendo equilibradas. Eu diria que este movimento é imprescindível para o equilibrista, sem ele talvez não fosse possível a façanha. Essa é a essência, nada estático demais funciona, é necessário sempre se movimentar, se adaptar, ceder, ponderar, cuidar, flexibilizar – tudo com a maior atenção possível, sem reatividade, sem movimento brusco.

Deu muito bem o recado. E no final, ainda de quebra, agradece com uma reverência. Isso, meu chapa, isso sim é arte.

Votos de luz,

Gustavo Mokusen.

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2 opiniões sobre “Equilíbrio emocional”

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